Exclusivo – Rubinho Barrichello é mordido pelo bichinho do rali

Exclusivo – Rubinho Barrichello é mordido pelo bichinho do rali

Ricardo Ribeiro

11 de março de 2019 | 20h38

Fala amigos, tudo bem? No post mais recente aqui no Estadão escrevi sobre o teste que o Rubinho Barrichello fez com dois carros de rali em uma pista em Botucatu, no interior de São Paulo. Leia aqui.

Quando levantei as informações para o primeiro post, falei com o Rubinho para saber o que ele havia achado da experiência, se gostou, se pretende correr rali um dia etc. Mas ele estava focado acompanhando um dos filhos, o Dudu, em uma corrida na Flórida, nos Estados Unidos. E pediu para falar outra hora. E essa outra hora foi hoje, na segunda-feira.

Rubinho Barrichello (com o filho Fefo, de vermelho) atravessa corredor de torcedores antes de subir ao pódio depois de faturar a Corrida do Milhão 2018, da Stock Car, em Goiânia. Piloto é ovacionado pelo público por onde passa. Foto: Fernanda Freixosa/Stock Car

Com exclusividade, Rubinho Barrichello falou para o blog “Ricardo Ribeiro – Bastidores do Dacar” e demonstrou certa empolgação com o fato de um dia, quem sabe, correr na terra, na modalidade rali cross country (que é diferente do rali de velocidade).

“O rali é uma semente. O Guiga [Spinelli] me fala muito, o Ingo [Hoffmann] já me falou bastante e tem muita gente que realmente diz que o rali é um bichinho que, quando pega, não solta mais”, afirmou Barrichello.

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Vamos abrir um parêntese aqui: Guiga Spinelli é o maior campeão do Rally dos Sertões nos Carros, com cinco títulos, e Ingo Hoffmann tem 12 temporadas da Stock Car e chegou a ser vice-campeão do Sertões, também nos carros.

“Diversas vezes falei para o Rubinho que os carros de rali foram os que mais me deram prazer em pilotar”, diz Ingo Hoffmann, segundo lugar no Rally dos Sertões 2004 pela equipe oficial Mitsubishi. Naquele ano, Spinelli foi o campeão. Atualmente Ingo se dedica a eventos especiais de automobilismo e arrecadar fundos para o Instituto Ingo Hoffmann, que presta atendimento a crianças com câncer e às famílias delas.

Guiga Spinelli (esq) e Ingo Hoffmann correram pela equipe Mitsubishi no Rally dos Sertões. Foto: Carsten Horst/Hyset

Rubinho confessa que, mesmo com o “lobby” dos amigos Spinelli e Ingo, nunca quis correr rali. “Realmente nunca tive interesse, mas fiquei interessadíssimo para testar o carro. E sempre brinquei com os colegas falando que pelo menos o que eu corro (no asfalto) eu sei onde eu vou bater [no rali não]. No rali você precisa ter muita confiança na pessoa que está ao lado para que vc possa ter sucesso”, completou.

Outro parêntese: para quem sabe como funciona um rali, pule os próximos dois parágrafos. Mas para quem chegou agora aqui ao blog, e não sabe como funciona uma prova de rali, a gente explica. A modalidade cross country (ou todo terreno, como se diz em alguns países) é aberta a motos, quadriciclos, UTVs, carros e caminhões. Nos UTVs, carros e caminhões tem a figura do piloto e do navegador – e nos caminhões normalmente ainda vai um terceiro passageiro, o mecânico.

O navegador vai dizendo para o piloto o que ele precisa fazer. No cross country, eles não podem treinar e não conhecem o roteiro. Ou seja, eles entram em uma curva a mais de 100 km/h sem saber o que tem pela frente: um cavalo, um jumento, um cachorro ou uma pedra. Por isso o Rubinho disse que no asfalto “ele sabe onde vai bater”. Afinal, ele sabe o que tem pela frente.

Voltando à entrevista exclusiva do Rubinho ao blog: “O rali é uma sementinha, é algo que mostra o quanto eu ainda estou ativo e o quanto eu gosto da tal velocidade. No meu post no Instagram (veja acima) foi interessantíssimo o fato das pessoas terem ficado mais interessadas do que nunca. Volto a dizer que é uma sementinha e a gente vai ver o que vai acontecer durante esse período. Muita gente gostou do assunto e não tenha dúvida que eu adorei andar no carro [de rali]”, diz Rubinho, piloto da equipe Full Time Sports da Stock Car.

O vídeo no Instagram de Barrichello teve mais de 43.000 visualizações, mais de 9.000 curtidas e dezenas de comentários.

Dias atrás Rubinho testou dois carros de rali: um buggy fabricado pelo Giaffone Racing, que também fabrica os carros da Stock Car, e um protótipo da equipe MEM Motorsports. Ele deu três voltas com cada um na pista de testes da MEM, no interior de São Paulo.

A pergunta que não quer calar: quando Rubinho vai acelerar em uma prova de verdade? Tomara que seja logo. Sangue nos olhos ele tem de sobra pela velocidade!

E para o bom entendedor, meia palavra basta! Sim, aposto que Rubinho está “doente”, contaminado pelo bichinho do rali!

* Ricardo Ribeiro, paulista, 47 anos, é jornalista, louco por internet, tecnologia, fotografia, vídeo e café. A trabalho, participando das maiores provas off-road do Planeta, já esteve em 38 países. Fez a cobertura do Paris-Moscou-Ulan Bator-Beijing, entre França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia e China. Também foi quatro vezes para o até então ‘Paris-Dakar’ na França, Espanha, Marrocos, Mauritânia, Líbia, Egito, Tunísia, Mali, Burkina Faso e Senegal, na África, e três vezes entre Argentina, Chile, Bolívia e Peru. Fez a cobertura do Rally dos Sertões pela primeira vez em 1999. Já fez a cobertura da Stock Car, a maior prova do automobilismo brasileiro, da MotoGP, Rally RN 1500 e várias outras competições.