EXCLUSIVO! UTV: Qual a cor do omelete de ovos de ouro?

EXCLUSIVO! UTV: Qual a cor do omelete de ovos de ouro?

Ricardo Ribeiro

26 de abril de 2017 | 00h11

Hey ho let’s go!* E aí amigos, blz?

O assunto está tirando o sono de muitos pilotos, navegadores, montadoras e equipes da categoria UTV.

Como escrevi no post anterior, farei uma série de reportagens sobre a disputa (ainda velada) entre a CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) sobre quem vai homologar os UTVs no futuro. Hoje quem dá as cartas é a CBM.

A categoria UTV é a nova galinha dos ovos de ouro e a que mais cresce no país em todo tipo de competição off-road (regularidade e cross country). É a única que não registrou quedas expressivas em número de inscritos nos momentos de crise econômica. O mesmo já não posso dizer sobre os carros, motos e quadriciclos…

A história do UTV no Brasil

Da esq. para a direita: Adilson Kilca, Aristides Mafra Junior, Cacá Clauset, Nuno Fojo, Sérgio Klaumann e Sylvio de Barros. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal Nuno Fojo

Da esq. para a direita: Adilson Kilca, Aristides Mafra Junior, Cacá Clauset, Nuno Fojo, Sérgio Klaumann e Sylvio de Barros. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal Nuno Fojo

 

 

Em janeiro, logo após a vitória inédita de Leandro Torres e Lourival Roldan no Rally Dakar, fiz um levantamento histórico (veja aqui) de como os UTVs começaram a cair nas graças dos brasileiros. Tudo começou com a realização da primeira corrida (2011), ainda experimental, no Rally dos Amigos, evento organizado na época pela Dunas Race.

A CBM (diga-se Adilson Kilca) acreditou no potencial dos ‘buguinhos’ (minha mãe entende assim!!!) e resolveu apostar no projeto. Deu certo! De lá pra cá, Kilca vem trabalhando cada vez mais para o desenvolvimento da categoria e nem pensa em abrir mão dos ovos de ouro.

Tá, mas qual é a polêmica?

A ‘polêmica’ veio das dunas do Ceará. Recentemente a FCA (Federação Cearense de Automobilismo), filiada à CBA, anunciou que fará o primeiro campeonato de UTVs, dia 4 de junho, conforme mostrou o meu colega Freire Neto, no Blog do Freire.

Se já existia uma série de discussões em redes sociais e grupos privados no WhatsApp, a divulgação da prova na Terra do Sol (agora homologada pela CBA e não pela CBM) jogou mais lenha na fogueira.

Ficará mais caro preparar um UTV

Haroldo Scipião, dirigente da CBA, durante o Rally Piocerá 2017. Foto: Haroldo Nogueira/Divulgação/Piocerá

Haroldo Scipião, dirigente da CBA, durante o Rally Piocerá 2017. Foto: Haroldo Nogueira/Divulgação/Piocerá

Competidores estão preocupados com os custos (futuros) para preparar um UTV de acordo com as regras da CBA, que teoricamente são mais rígidas, exigem mais equipamentos e, consequentemente, são mais caras. Isso para falar de forma bem resumida…

Mas não é só o cifrão que está em jogo. Pilotos e navegadores querem que a categoria UTV continue sob o comando da CBM, até mesmo por uma questão de gratidão, respeito e reconhecimento ao trabalho feito desde 2011.

O UTV era o patinho feio, o sapo que ninguém queria dar beijo na boca, mas hoje, por ironia do destino, é a categoria que segura as contas de muitos organizadores de provas pelo Brasil devido ao grande número de inscritos.

Para atrair novos filiados, CBA divulga que “paga seguro” para competidores em caso de acidente e morte

A CBA, de acordo com Haroldo Scipião, presidente da Comissão Nacional de Rally, em entrevista exclusiva a este blog, disse que a maior preocupação da entidade é em relação à “segurança” dos competidores que correm com UTV.

“Queremos conscientizar pilotos e navegadores sobre as vantagens de ser filiado à CBA. Todos que correm qualquer prova no Brasil têm direito a seguro em caso de acidentes e até morte, com remoção e toda assistência”, garante Scipião.

Para ilustrar o que estava dizendo, o dirigente da CBA citou o capotamento do ex-presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, durante o Rally Estação, no Rio Grande do Sul. “Veja o exemplo do Palmeirinha: o carro dele é homologado pela CBA. Ele capotou a 200 por hora e saiu ileso. Nobre e o navegador estavam cobertos pelo seguro da CBA, se fosse necessário”, disse Haroldo Scipião. A dupla nada sofreu.

Carro de Paulo Nobre, ex-presidente do Palmeiras. Fotos: Portal Mundo Rally

Carro de Paulo Nobre, ex-presidente do Palmeiras. Fotos: Portal Mundo Rally

Enfim, o papo sobre CBA-CBM-UTV é longo e o debate está aberto. Este espaço está à disposição de competidores, pilotos, navegadores, fabricantes dos veículos e entidades.

P.s. 1: Falei informalmente com vários pilotos e navegadores da categoria carros sobre o “seguro” oferecido pela CBA. Se o tal benefício existe, ninguém sabe sobre o mesmo… E se esse custo existe na planilha da Confederação Brasileira de Automobilismo, ele não existe na prática. Pilotos e navegadores contratam, e pagam do bolso, seguros médicos durante as provas de rali cross country.

P.s. 2: O presidente da CBA e o presidente da CBM, Firmo Alves, se reuniram nesta terça-feira pela manhã no autódromo de Interlagos, em São Paulo, conforme revelado por este blog. A pauta era para discutir sobre a possível privatização do autódromo de Interlagos e como essa medida impactaria as competições. Durante o cafezinho, falou-se, informalmente, sobre a polêmica entre CBA e CBM em relação aos UTVs. Os dois presidentes alegam que não existe “disputa” pelos ovos de ouro. “Cada um faz a sua prova”, dizem.

P.s. 3: A qualquer momento trarei novidades aqui no blog sobre os UTVs, a categoria que mais cresce no Brasil.

P.s. 4: * Hey Ho Let’s Go!

Fique aí com os Simpsons na voz do Joey Ramone! Até logo mais!

*  Ricardo Ribeiro, paulista, 45 anos, é jornalista, louco por internet, tecnologia, fotografia e café (vinho também!). Já participou dos maiores ralis do mundo, como o Paris-Moscou-Ulan Bator-Pequim, entre França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia e China. Também cobriu quatro vezes o até então ‘Paris-Dakar’ no Marrocos, Mauritânia, Líbia, Egito, Tunísia, Mali, Burkina Faso e Senegal, na África. Já trabalhou na divulgação de mais de 10 edições do Rally dos Sertões, Enduro da Independência e Rally Cerapió/Piocerá, no Brasil. O conteúdo produzido por Ricardo Ribeiro foi amplamente divulgado pelos jornais O Estado S.Paulo e Jornal da Tarde, Agência Estado, Rádio Eldorado e pelos canais ESPN Brasil, Band, Record e SBT, além de importantes revistas especializadas como Quatro Rodas.

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