Sabe como é um resort no Cazaquistão? Pergunte aos brasileiros que disputam a Copa do Mundo de Rally na Ásia Central

Sabe como é um resort no Cazaquistão? Pergunte aos brasileiros que disputam a Copa do Mundo de Rally na Ásia Central

Ricardo Ribeiro

30 de maio de 2019 | 17h18

Como você imagina um “resort” no Cazaquistão? Então imaginou errado!

Grandes provas de ralis em países no mínimo “diferentes” permitem que pilotos e navegadores conheçam culturas, a culinária local e um tipo de “resort” no mínimo estranho.

Foi essa a sensação dos brasileiros Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin quando entraram em um teoricamente hotel na cidade de Aktar, nas praias do Mar Cáspio. “Na primeira noite pensei que fosse um quartel do exército. Não parecia um resort!”, diverte-se Reinaldo Varela. E o conforto e as comodidades não faziam jus ao tipo de hospedagem. “O vaso sanitário não tinha tampa e precisava ficar segurando o chuveiro na hora de tomar banho”, conta.

Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin no Rally do Cazaquistão. Foto MCH/Divulgação

Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin estão disputando a Copa do Mundo de Rally Cross Country pela equipe oficial Monster a bordo de um UTV Can-Am Maverick X3. Eles mantêm a liderança da prova, que começou na segunda-feira e nesta quinta entrou na fase final depois de quatro dias de corridas.

Ao todo, os competidores já percorreram mais de 1.400 quilômetros. A prova terminará no sábado, depois de 2.500 quilômetros entre trechos cronometrados e deslocamentos.

Varela e Gugelmin já completaram mais da metade de Rally do Cazaquistão, na Ásia Central, e mantêm a liderança da prova depois de vencerem duas corridas e ficaram em segundo nas outras duas. Agora, têm 19 minutos de vantagem em relação aos maiores concorrentes no campeonato, os russos Fedor Vorobyev e Kirill Subin.

Problemas com a turbina

A quinta-feira não foi das melhores para a dupla brasileira, campeão do Rally Dakar 2018. Um problema na turbina do UTV fez com que eles perdessem muito tempo, já que foram obrigados a andar no máximo a 60 km/h. “Além disso, paramos muitas vezes para completar o óleo”, disse Reinaldo, que é bicampeão do Rally dos Sertões e campeão mundial, ambos nos Carros. A etapa cronometrada teve 399 quilômetros cronometrados.

Hoje os competidores enfrentaram todo tipo de dificuldades, como areia, dunas gigantes e muitas poças d’água. “Choveu bastante a noite toda e em alguns lugares andamos mais de 100 metros na água, com o UTV escorregando”, contou Reinaldo.

A penúltima etapa do Rally do Cazaquistão, neste sexta-feira, será menor, com “apenas” 290 quilômetros contra o relógio e mais 150 de deslocamentos. A prova terminará no sábado, com a menor etapa de todas com 148 quilômetros.

Amanhã tem mais rali e no sábado pode até sair um campeão por antecipação. Só tomara que não sejam os russos!

* Ricardo Ribeiro, paulista, 44 anos, é jornalista, louco por internet, tecnologia, fotografia e café. Já participou dos maiores ralis do mundo, como o Paris-Moscou-Ulan Bator-Pequim, entre França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia e China. Também cobriu quatro vezes o até então ‘Paris-Dakar’ no Marrocos, Mauritânia, Líbia, Egito, Tunísia, Mali, Burkina Faso e Senegal, na África. Já trabalhou na divulgação de mais de 10 edições do Rally dos Sertões, Enduro da Independência e Rally Cerapió/Piocerá, no Brasil. O conteúdo produzido por Ricardo Ribeiro foi amplamente divulgado pelo jornal O Estado S.Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado, Rádio Eldorado e pelos canais ESPN Brasil, Band, Record e SBT, além de importantes revistas especializadas como Quatro Rodas.

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