Acordo foi ‘vitória do multilateralismo’, avalia Patriota

gabrielacupani

19 de junho de 2012 | 15h39

Herton Escobar, enviado especial ao Rio

O acordo costurado pelo Brasil sobre o documento final da Rio+20 foi uma “vitória do multilateralismo”, disse o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Segundo ele, o texto chegou ao Rio com apenas 40% de seu conteúdo acordado. “Agora temos 100%”, disse ele, em entrevista coletiva que terminou agora. “Não é pouco para três dias”, completou, referindo-se ao tempo que o Brasil ficou à frente das negociações (desde sábado).

“O espírito do Rio continua vivo”, disse o ministro, ressaltando que uma das principais batalhas na negociação foi não retroceder em relação aos princípios que haviam sido acordados na Rio-92, duas décadas atrás.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também se disse muito satisfeita com os resultados – classificados como fracos e pouco ambiciosos por várias organizações ambientalistas e até por delegações de alguns países que concordaram com o documento. “Muito da posição brasileira está no texto final”, disse ela, citando, novamente, o não retrocesso em relação aos princípios do Rio – em especial, ao das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

Izabella elogiou a atuação dos diplomatas brasileiros, que conseguiram fechar um texto antes do início da cúpula de alto nível da conferência, que começa amanhã e vai até sexta. “É a primeira vez que vejo uma conferência terminar dentro dos prazos”, disse. “É mérito da diplomacia brasileira.”

Na sequência de alto nível, para a qual são esperados cerca de cem chefes de Estado, o documento, em tese ainda poderá ser modificado. Dentro dos protocolos diplomáticos, porém, é extremamente improvável que algum país reabra as discussões depois de já ter dado seu consenso ao rascunho “fechado” de hoje.

 

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