Bastidores da Eco 92, pelo ex-ministro Goldemberg

Paulina Chamorro

05 de junho de 2012 | 17h56

goldemberg_600.jpg
Ex-ministro do Meio Ambiente, José Goldemberg, em debate na GV (Foto: Divulgação)

Paulina Chamorro

Acompanhei durante o 2º debate Radar Rio +20 (abril de 2012), promovido pela Rádio  EstadãoESPN, em parceria com o  GVCes-FGV, Instituto  Socioambiental e Instituto Vitae Civilis (que tive o  prazer de produzir), um depoimento muito interessante sobre o clima na época da Eco 92, há vinte anos.

Era do ex-ministro José Goldemberg, que junto a Sergio Leitão, do Greenpeace, debatiam no auditório da FGV o tema ENERGIA, com foco na Rio+20.

O prof. Goldemberg foi Ministro de Meio Ambiente e Ministro interino de Saúde do governo de Fernando Collor bem na época que o país abrigou e aceitou o desafio de coordenar a Conferencia da ONU há vinte anos.

A seguir, um trecho do depoimento sobre os bastidores da Eco -92 do prof. José Goldemberg:

——————————————

José Goldemberg

“O governo brasileiro deveria mudar de posição e exercer a liderança natural que tem por ser sede da reunião e o presidente da Confêrencia.

Isso me lembra a situação na Rio 92 , há 20 anos atrás. Há dois ou três meses antes da Conferência as perspectivas também não eram muito boas. E aí efetivamente é preciso dar crédito a quem merece. O presidente da ocasião, o presidente Collor, acordou para este problema – provavelmente ele tinha em mente o próprio reforço do seu próprio governo- e aparecer como uma pessoa que fizesse uma realização importante e que ficasse na história. Mas ele fez isso.

E o que fez: mobilizar seus ministros como eu, Celso Lafer e outros e o Itamaraty e efetivamente fez um esforço redobrado para trazer os Chefes de Estados. Na ocasião, também haviam muitas dúvidas que o chefe dos Estados Unidos, que era o Bush, viria.

E houve um esforço que foi feito, e foram feitos também os ajustes finais na discussão da Convenção do Clima, que acabou saindo e que os Estados Unidos acabaram assinando. Na Convenção da Biodiversidade não tivemos sucesso. Isso foi feito faltando dois meses para a Conferência.

O Brasil tem condições de liderar o processo porque é o pais em que todas as metas que estão  ai, o  Brasil poderia cumprir com facilidade. O Brasil junto com Suécia são os países com a matriz energética mais limpa no mundo todo. E uma das exortações feitas no documento (Draft Zero-Rascunho Zero da Conferência) é que o mundo  encaminhe para uma economia verde. Lamentavelmente os delegados brasileiros, nas negociações preliminares, não demonstraram nenhum entusiasmo com a economia verde. Pelo contrário, colocaram a economia verde como abrangente e o Bolsa Família e outros projetos do tipo acabaram tendo papel maior. “

Tudo o que sabemos sobre:

Eco 92Goldembergrio+20

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: