Brasil assume presidência da Rio+20 e vai definir modelo final de negociação

João Coscelli

15 de junho de 2012 | 13h19

Herton Escobar – O Estado de S. Paulo

O documento base que definirá as decisões da Rio+20 não ficará pronto nesta sexta-feira, 15, último dia programado de diálogos oficiais. Às 23 horas, o Brasil assumirá a presidência da conferência e definirá qual será o modelo de negociação para os próximos dias. A meta é finalizar o texto até o dia 19, antes do início da cúpula de alto nível que encerrará a conferência, no dia 20, com a participação de chefes de Estado.

Apesar dos impasses que dificultam a negociação, Nikhil Seth, um dos porta-vozes da ONU no evento, fez uma avaliação positiva da situação. “Em todas as salas de negociação há um sentimento de otimismo cauteloso”, disse, em entrevista coletiva no Riocentro. “A sensação geral é de que nosso maior inimigo agora é o tempo.”

Com relação à negociação dos meios de implementação (incluindo a transferência de recursos financeiros e tecnológicos de países ricos para países em desenvolvimento), tema mais difícil da conferência, Seth disse que um novo texto foi proposto pelo facilitador do grupo de trabalho que discute o assunto e que as negociações continuam em aberto.

Segundo ele, o novo texto não contém “valores de dólar”, em referência a uma proposta do Grupo dos 77 mais China de criar um fundo internacional de apoio ao desenvolvimento sustentável, no valor de US$ 30 bilhões por ano. A proposta é rejeitada pelos países desenvolvidos, que teriam de contribuir com a maior parte deste valor.

Ainda não se sabe como as negociações serão conduzidas nos próximos três dias. Isso será definido pelo Brasil, em consulta com os outros países, e anunciado na noite desta sexta, após o encerramento da agenda formal de negociações do Comitê Preparatório (PrepCom) da conferência.

“Não há plano B”, garantiu Seth, referindo-se à possível apresentação de um texto alternativo ao que já vem sendo negociado – como já ocorreu em outras conferências, como a da Convenção do Clima em Copenhague, em 2009, quando um grupo de presidentes da Europa e dos Estados Unidos acabou produzindo um documento próprio de última hora para evitar um fracasso total do encontro.

Seja qual for o formato escolhido pelo Brasil, ele garantiu que será um processo “transparente”.

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