Desenvolvimento sustentável é oportunidade

gabrielacupani

15 de junho de 2012 | 09h04

Herton Escobar, enviado especial ao Rio

Um dos “mitos” que precisa ser “destruído” na Rio+20  é a ideia de que optar pelo desenvolvimento sustentável significa crescer menos, do ponto vista econômico. “Nada poderia estar mais longe da realidade”, disse Sharan Burrow, secretária geral da International Trade Union Confederation, organização trabalhista que está acompanhando as negociações no Rio. Ela ressaltou que, até 2050, só por conta do aumento populacional, será necessário produzir 50% mais comida, 45% mais energia e 30% mais água do que hoje – o que deve ser visto como uma oportunidade para a geração de “empregos verdes”, relacionados, por exemplo, à produção de energias renováveis. “É uma oportunidade imensa, que não pode ser desperdiçada.”

Miguel Palacín Quispe, da Coordenadoria Andina de Organizações Indígenas, disse que a conferência deve estimular a criação de “novos paradigmas”, que quebrem com o modelo de desenvolvimento atual, que, segundo ele, compromete diretamente a sobrevivência dos povos indígenas. “Nosso modo tradicional de vida é afetado todos os dias”, disse ele, numa coletiva de imprensa com representantes de várias organizações sociais. “Nossos territórios são invadidos, contaminados, saqueados.”

Quispe se disse indignado com o fato de a mineração (um dos temas incluídos no documento da conferência) esteja sendo avaliada como uma atividade que pode promover o desenvolvimento sustentável. “Não é possível que uma das atividades mais contaminantes do mundo seja tratada  como algo sustentável”, disse.

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