Evento destaca importância da igualdade entre gêneros e raças para a sustentabilidade

gabrielacupani

22 de junho de 2012 | 14h52

Nicole Coimbra, Gabriel Garcia e Daniella Gemignani*, especial para o estadao.com.br

A desigualdade entre homens e mulheres na América Latina foi tema de um debate na última terça-feira, 20, na Arena Socioambiental no MAM.  “Sem relações solidárias entre raças e gêneros, não há sustentabilidade. É necessário haver um esforço de emancipação”, afirmou Sueli Carneiro, ativista anti-racismo do movimento social negro brasileiro.

Estudos mostram que a mulher trabalha mais e ganha menos, como revela uma pesquisa sobre a desigualdade no mercado de trabalho, apresentada pelo representante da Comissão Econômica da América Latina e do Caribe (CEPAL), Antonio Prado. Os dados apontam que as horas remuneradas das mulheres são menores que as dos homens e os números de horas não remuneradas são maiores do que a dos homens. Isso mostra que a mulher trabalha mais do que o homem, chegando a 86 horas semanais em alguns países. Além disso, as mulheres têm mais anos de estudo do que os homens, mas ganham, geralmente, menos do que eles. Prado deu relevância à necessidade da atuação do Estado: “O indivíduo não pode sair sozinho do círculo de pobreza. Políticas sociais fortes devem agir para isso acontecer”.

A discussão começou por skype, com Roselita da Costa, agricultora e dirigente sindical de Borborema, Paraíba. Ela ressaltou que o assunto não pode ser discutido sem citar “a violência contra a mulher”.

Sueli Carneiro lemboru que as mulheres negras e indígenas são duplamente discriminadas enfrentando exclusão social, racial e sexual. De acordo com a ativista, a melhor formas de reduzir a desigualdade é por meio de políticas públicas de promoção social e da rigorosa punição do racismo.

Posteriormente, Sonia Malheiros, da Secretaria de Política para as Mulheres, destacou a importância do “Draft Zero” aprovado na Rio+20. Segundo ela, o documento, apesar de não ter satisfeito todos os países signatários, é importante por ser um grande passo na luta contra a desigualdade. Também comentou sobre a relevância da discussão interna do assunto. “É muito importante que essas questões sociais sejam fortalecidas dentro dos países para que cheguem às conferências internacionais. Isso porque, países antidemocráticos não vão levar, ou entender, o racismo e a desigualdade como assuntos importantes para serem trazidos nesse tipo de discussão”, enfatizou.

Já Maria de Rocio García Gaitan, presidente da Comissão Interamericana da Mulher, falou sobre a importância cada vez maior do desenvolvimento sustentável na América Latina. Para a mexicana, a economia verde é um elemento impulsionador da economia mundial e as mulheres devem participar dele com condições de igualdade. “Hoje nos encontramos diante do desafio de arranjar soluções para o desenvolvimento humano. Não devemos ver isso como um problema, mas como uma oportunidade de alavancar o emprego e a autonomia das mulheres”, propõe Maria Gaitan.

A última convidada foi Rebeca Tavares, da ONU Mulheres, Brasil, que se dedica há mais de 20 anos ao tema “justiça social”. Para ela, o fechamento da lacuna entre homens e mulheres no mercado de trabalho aumentaria inclusive o PIB do país, chegando a 13% de elevação nos países da Europa. Para Rebeca, “a questão da igualdade de gêneros faz parte do tema do Desenvolvimento Sustentável. As mulheres são um novo paradigma para a sustentabilidade. Elas são imprescindíveis para gerar um mundo sustentável”.

 

*Alunos do curso de Jornalismo da ESPM-SP que participam da cobertura da Rio+20

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