Fernando Henrique se diz otimista, mas avalia que Brasil precisa fazer com que haja acordo

gabrielacupani

18 de junho de 2012 | 16h06

Daniela Amorim, do Rio

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse estar otimista, “mas com um pontinho de preocupação” acerca dos resultados da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Na avaliação do ex-presidente, agora que assumiu a liderança nas negociações da cúpula, o Brasil precisa fazer com que haja um acordo.

“Teria sido melhor se tivesse sido feito um acordo antes, num contexto mais rápido. Mas agora o Brasil, queira ou não queira, vai ter que se desdobrar e fazer um belo papel. Senão, pobre de nós”, afirmou Fernando Henrique, após participar de discussões com um grupo de cientistas laureados com o Prêmio Nobel.

O encontro gerou uma declaração oficial que será apresentada hoje ao público, com os alertas da comunidade científica sobre o aquecimento global. A versão final, de apenas duas páginas, será entregue aos chefes de estado durante a conferência. O grupo terá apenas dois minutos para apresentar às autoridades um resumo do documento.

“O que se pode dizer em dois minutos?”, lamentou Carlo Rubbia, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, que foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1984. “Eu não espero resultados incríveis. São diferentes pontos de vista, diferentes países. Seria fantástico ter uma solução 20 anos depois (da Eco-92). Mas não acontece automaticamente, mas indiretamente. Há uma inabilidade para mudar”.

Rubbia apontou a preocupação dos jovens de hoje como um avanço na direção de que algo possa ser feito. “O problema é que no meio ambiente estamos perdendo muito tempo. O tempo está acabando”, disse o Nobel de Física.

Uma das discussões levantadas no fórum de sábios ontem foi a cobrança de um imposto sobre a emissão de carbono sobre produtos e serviços. “Obviamente tem um problema político para implementar esse imposto. Ninguém quer. Mas a Austrália e alguns países europeus já adotam”, apontou Aloísio Pessoa de Araujo, da Academia Brasileira de Ciências.

A assinatura do documento fez parte de um esforço conjunto entre a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e o Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo.

“Como quem está por trás disso são cientistas de renome, é uma tentativa de mostrar que a gente está perto de um momento que não tem mais volta”, explicou Roberto Schaeffer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A rainha Silvia, da Suécia, prestigiou a parceria sueco-brasileira, participando ontem do lançamento do livro “A Causa Humana: Prosperidade dentro dos limites planetários”, na sede do FBDS, no Rio.

 

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