Milhares de mulheres protestam contra princípios da Rio+20

gabrielacupani

18 de junho de 2012 | 17h30

Efe,

Milhares de mulheres tomaram nesta segunda-feira, 18, as ruas do Rio de Janeiro para protestar contra a “economia verde”, um dos temas de debate na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 que inicia nesta quarta.

Segundo cálculos da organização internacional Vía Campesina, uma das responsáveis pela manifestação, a marcha reuniu cerca de 7 mil pessoas, em sua maioria do sexo feminino, que paralisaram o centro do Rio para protestar contra a “comercialização” da natureza, da vida e também dos corpos das mulheres.

O protesto teve a presença de grupos feministas, trabalhadores rurais, indígenas e partidos de esquerda de países de todo o mundo, embora principalmente da América Latina.

Um grupo de centenas de mulheres partiu no começo da manhã do sambódromo rumo ao centro da cidade, enquanto outro se concentrava no parque Aterro do Flamengo, onde ocorre a Cúpula dos Povos, o principal evento alternativo da Rio+20.

As duas frentes se encontraram e atravessaram várias avenidas do centro do Rio, criando um enorme engarrafamento, em uma manifestação que foi encorajada com assobios, latas transformadas em instrumentos de percussão, bailes de capoeira, três engolidores de fogos e diversas bandeiras com muitas palavras de ordem.

A brasileira Adriana Mesada, líder do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, explicou à Agência Efe que a marcha quer denunciar “as falsas soluções do capitalismo verde” e a agressão dos grandes fazendeiros à natureza. Diversos cartazes do protesto também defendiam a liberdade sexual, legalização do aborto e criticavam a violência machista ou diferenças salariais entre homens e mulheres.

“Viemos pelo direito à natureza e a nossos corpos”, disse à Efe a colombiana Catalina Rebollo, da Companhia de Teatro Flor de la Tierra Lilas e ativista feminista. Dez integrantes desse grupo teatral estavam disfarçados de panteras com peitos de cone e genitais femininos desenhados, para denunciar que a sociedade capitalista transforma a mulher em “mercadoria”.

A argentina Sandra Oviedo, da organização feminista Mumala, disse à Efe que a “matria tem que substituir à pátria”, ou seja, as mulheres e as mães devem ocupar espaços de decisão hoje preenchidos pelos homens, como forma de conseguir a igualdade.

A ativista Grace Shatsang, de uma minoria étnica da região de Manipur na Índia, relatou que as mulheres indígenas da sua região sofrem com a retirada de suas terras em nome do desenvolvimento.

“Queremos transmitir a mensagem que as mulheres do mundo sofrem e não têm seus trabalhos reconhecidos. É preciso dar poder às mulheres, para que o mundo saiba o que as mulheres podem fazer”, afirmou Shatsang à Efe.

Já a boliviana Lorenza Quispe, da Confederação de Mulheres Trabalhadoras Rurais Indígenas Bartolina Sisa, defendeu que as mulheres são “o pilar fundamental” da luta a favor do meio ambiente e da soberania alimentícia.

Ainda nesta quarta-feira, no seio da Cúpula dos Povos, vários grupos ambientalistas reuniram centenas de pessoas no centro de Rio na chamada “Marcha à Ré”, que denunciou os “retrocessos” na legislação meio ambiental brasileira.

Os manifestantes protestavam especificamente contra o chamado Código Florestal, recentemente aprovada e que abre uma brecha para aumentar o desmatamento da Amazônia e para anistiar os fazendeiros que desflorestaram no passado, segundo os ecologistas.

Enquanto isso, os delegados oficiais de cerca de 180 países realizavam nesta segunda as últimas negociações oficiais para tentar pactuar a declaração que será assinada pelos chefes de Estado na cúpula da Rio+20, realizada nos dias 20, 21 e 22 de junho.

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