Para Dilma, texto da Rio+20 representa vitória do Brasil em obter consenso

gabrielacupani

19 de junho de 2012 | 17h45

Denise Chrispim Marin, enviada especial a San Jose de los Cabos

A presidente Dilma Rousseff rejeitou a avaliação de que o texto da declaração final da Rio + 20, aprovado pela sessão plenária dos 191 países presentes à conferência na madrugada de hoje, reflete o fracasso da liderança brasileira no processo de negociação. Depois de participar da reunião dos líderes das maiores economias do mundo (G20) e prestes a embarcar ao Rio de Janeiro, onde abrirá a Rio+20 nesta quarta-feira, 20, ela reconheceu ter sido extraído “o documento possível”. Mas argumentou ter sido o texto um “grande avanço”, “uma “vitória”.

“Em Copenhagen, era impossível tirar um documento. Eu acredito que o documento da  Rio+20, ao contrário, é um grande avanço, uma vitória”, afirmou a presidente, referindo-se à Conferência das Nações Unidas de 2009. “É difícil construir o consenso entre 17 países. Estamos vendo isso na (zona do euro) da União Européia. Mas nós estamos fazendo isso (chegar ao consenso) na Rio+20”, completou.

O texto da Rio+20, insistiu Dilma, deve ser “comemorado” como uma vitória do Brasil em extrair uma posição de consenso sobre um tema complexo, sobre o qual os 191 países apresentam posições diferenciadas, antes de o encontro de cúpula ser oficialmente aberto. Esse fato, destacou, é inédito nas negociações sobre mudança climática e meio ambiente.

“Se a gente tivesse decepção quanto a isso (o documento da Rio + 20), não podia recepcionar uma conferência internacional. Esta é uma visão de quem acha que a relação internacional não respeita os chefes de Estado e a posição soberana dos países. Ao recebê-los e à conferência das Nações Unidas, temos de ter a postura de respeitar a soberania de cada país, entender e procurar o apoio”, afirmou, ao admitir que está, neste momento em uma fase “paz e amor”.

Questionada se considerava mais difícil extrair o consenso em um encontro do G20, que fracassou na tentativa de extrair compromissos da Europa para superar sua crise, ou na Rio +20, Dilma confessou não saber a resposta. “Há uma multidão de multidiversidade (nos dois fóruns).”

Dilma explicou ter acompanhado as negociações sobre meio ambiente e mudança de clima desde Copenhagen, como ministra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, lembrou ela, alguns países queriam maior ambição nos objetivos de desenvolvimento sustentável, outros queriam uma discussão democrática com a participação de todos e ainda havia a complicada questão sobre as contribuições financeiras.

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