Para negociador, sucesso da Rio+20 está nas costas do Brasil

gabrielacupani

18 de junho de 2012 | 19h27

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(Foto: Marcos D Paula/AE)

Tiago Rogero, do Rio

Um dos mais experientes negociadores na Rio+20, o chefe da delegação italiana, Corrado Clini, ministro do Meio Ambiente, afirmou que o sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável está nas costas do Brasil. Para o ministro, a liderança brasileira nas negociações ainda não está clara. Clini, que chefiou a delegação italiana também nas negociações da Rio-92 e na Conferência sobre Mudanças Climáticas que resultou no Protocolo de Kyoto, em 1997, cobrou uma postura mais determinante do Brasil.

O País, segundo ele, vai desempenhar um papel fundamental se assumir a liderança do debate. “Confio que o Brasil será capaz de liderar, mas, no momento, essa situação não está tão clara. Estamos em uma fase difícil (das negociações)”, disse ontem, após evento no estande italiano montado no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca. Para o ministro italiano, o Brasil tem seguido muito a posição dos BRICs (grupo que inclui, além do País, China, Índia, Rússia e África do Sul), mas “há conflitos”.

Ele mandou um recado ao governo brasileiro: “O Brasil deveria começar a trabalhar levando em conta que a posição da União Europeia não é contra as economias emergentes; estamos sugerindo um roteiro para o futuro”, afirmou.

Clini disse que está defendendo, dentro da União Europeia, uma abordagem “mais amistosa” para os pontos em desacordo nas negociações: “Porque acredito que temos de evitar o fracasso dessa conferência”.

Para o chefe da delegação italiana, o pedido dos países emergentes de financiamento pelos mais desenvolvidos é uma discussão ultrapassada. “Hoje, as economias emergentes estão mais fortes que os países desenvolvidos. Enquanto as economias de China, Brasil e Índia estão crescendo rápido, a nossa está declinando. Então, em termos reais, estamos tendo uma discussão no formato da Rio-92, não da Rio+20”.

Clini afirmou que a proposta da União Europeia – baseada no conceito de economia verde – aborda o desenvolvimento sustentável levando em conta a “realidade” atual, “com China, Brasil, Índia e África do Sul conduzindo o crescimento”. “Enquanto isso, nas negociações, querem que destinemos mais e mais dinheiro para apoiar os emergentes”.

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