Jogos Olímpicos de 2020 – será que o povo quer?

robertolira

26 de junho de 2013 | 13h16

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Em tempos de manifestação popular contra gastos do governo em competições esportivas, é bom avaliar como está a disputa pelo direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2020. Ainda estão no páreo Istambul, Tóquio e Madri e saiu ontem o último

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, a comissão de avaliação que vai dar o parecer da melhor proposta  e que vai embasar a decisão do Comitê Olímpico Internacional, em setembro.

Pegando só o aspecto do apoio da população, a cidade turca sai na frente. Pelos dados divulgados no relatório, o projeto conta com 83% de apoio na cidade e 76% no restante do país. Pelas pesquisas, o “apoio forte” chega a 46% da população, enquanto os fortemente contrários são apenas 3%.

Na outra ponta, está Tóquio, com apoio de 70% da população da cidade e de 67% no restante da nação. O apoio forte é de 36% na cidade, mas a oposição em todos os seus níveis chega a 16%.

Embora Madri fique num meio termo, com 76% de aprovação na cidade e 81% no país, chama a atenção a forte oposição a que a cidade seja a sede da competição: 20% não desejam os Jogos Olímpicos, sendo que 11% são fortemente contrários.  Explica-se: a Espanha está em recessão desde 2012 e o desemprego está nas alturas, especialmente entre os mais jovens.

Pegando só o ponto de vista econômico, a escolha é difícil. A Turquia é um emergente que se beneficiou de novos investimentos nas últimas décadas, mas que ainda tem um dívida social forte e tem sofrido com os protestos contra o governo.

O Japão tem uma economia mais sólida, mas também uma indiferença e frieza no apoio popular que pode pesar contra a decisão do COI.

E a crise econômica na Espanha não permite muita margem de manobra para gastos públicos, embora os orçamentos apresentados pelas cidades estejam  numa margem aceitável de investimentos totais entre US$ 2,9 bilhões e US$ 3,4 bilhões.

 

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