Mudar ou morrer

robertolira

07 de outubro de 2013 | 16h00

Reprodução_ABC_Palmeiras
As imagens transmitidas na TV no último sábado são de embrulhar o estômago e de cortar o coração. Torcedores no jogo entre ABC (RN) e Palmeiras pela série B do Campeonato Brasileiro prensados entre um corredor estreito e um alambrado digno da várzea.

Idosos, mulheres e crianças passando mal, alguns sendo erguidos sobre a cerca para evitar um claro risco de morte. O jogo demorou mais de 35 minutos para começar, enquanto tentava-se achar uma solução que deveria ser o cancelamento da partida.

Faltou pouco para uma versão brasileira da tragédia de Hillsborough, em 1989, quando 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados e algumas centenas ficaram feridos num jogo pela Copa da Inglaterra nu estádio modesto em Sheffield.

Muita gente pode pensar que “é normal no Brasil” dirigentes e autoridades autorizarem a entrada de um publico maior do que a capacidade do estádio. Ou dos organizadores não oferecerem segurança mínima para grandes públicos.

Era normal sim… nos anos 60, 70 e 80, embora fosse imoral. A lista dos recordes de público de TODOS os grandes estádios do Brasil são a prova do crime.

Os números sempre impressionaram, com 150 mil ou até 200 mil pessoas nas arquibancadas, mas a realidade era a torcida espremida, sem espaço, gente deitada entre as fileiras, chegando ao estádio em transporte precário, sofrendo com a violência, que ainda não era organizada.

Já teve final de Brasileirão com torcedores despencando do anel superior do Maracanã.

Ocorre que estamos em plena vigência do Estatuto do Torcedor, que detalha as condições mínimas de venda de ingressos, acesso, conforto, segurança e transparência na relação entre os responsáveis pelo evento e o público.

É por isso que a punição tem de ser exemplar, para o clube e a Federação e quaisquer outros (ir) responsáveis que tiverem culpa no caso. O estatuto fala em seis meses de suspensão do mando. É um começo.

2013 pode entrar para a história do início das mudanças na organização do futebol. Corinthians e Vasco já foram punidos por comportamento agressivo de suas torcidas. O Corinthians, aliás, pode ficar sem jogar em SP até o final do ano.

Responsabilizar quem deve ser responsabilizado é um grande passo. Os clubes podem até mesmo perder seu lugar na divisão que disputam. A julgar pelas propostas que chegam, também podem sofrer sanções pela gestão financeira temerária de seus dirigentes. E o Senado está às portas de votar projeto que faz com que esses mesmos dirigentes respondam com seus bens pelos rombos nos cofres das entidades esportivas.

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