Quem vai cobrar a conta da torcida?

robertolira

04 de setembro de 2013 | 18h54

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Pela segunda vez neste ano o Corinthians está sendo punido por atitudes cometidas por sua torcida. Em fevereiro, após a morte do boliviano Kevin Beltrán, a Conmebol obrigou o então campeão da Libertadores a jogar com portões fechados.

A pena inicialmente valeria para toda a primeira fase da Copa, mas acabou restrita a um jogo, contra o colombiano Millonarios. O time de Parque São Jorge deixou de arrecadar, por baixo, R$ 2 milhões ao não abrir as bilheterias naquele dia.

Não vamos entrar aqui no mérito de quem foi o responsável pelo foguete que matou o jovem. O fato é que foi alguém que estava numa caravana que saiu do Brasil para apoiar o time.

Bem, passados meses com alguns torcedores presos, com todo o imbróglio diplomático gerado, e a libertação aplaudida e comemorada, acreditava-se que os torcedores estariam, no mínimo, cientes que atitudes não esportivas estavam gerando perdas para seu clube. Da receita e de grande parcela da imagem do Corinthians dentro e fora do País.

Que nada. Num jogo entre Vasco e Corinthians no estádio Mané Garrincha, paulistas e cariocas protagonizaram cenas de selvageria, transmitidas para todo o Brasil ao vivo. O Estadão provou com imagens que alguns dos ex-presos de Oruro estavam no meio da confusão. Resultado? Mais punição. O Corinthians perderá a arrecadação de quatro jogos.

Caso a punição não seja revista – ela pode até mesmo ser ampliada – e levando em conta a média de cerca de R$ 1 milhão de renda bruta nos jogos do Corinthians no Pacaembu, a conta chega aos R$ 4 milhões. Somando com o jogo da Libertadores, dá R$ 6 milhões de prejuízo bruto.

O Vasco, que tem jogado fora do Rio para melhorar a arrecadação, com ingressos majorados, pode perder até mais que isso.

Se o Corinthians e o Vasco querem mesmo provar que não respaldam a violência de suas próprias torcidas, especialmente os organizados, não está na hora de cobrar a conta deles? Que time no Brasil pode abrir mão de R$ 6 milhões?

 

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