Turismo na Copa: é preciso corrigir os rumos

robertolira

28 de junho de 2013 | 11h06

Copa - sinalização

Com  a chegada do fim da Copa das Confederações, é tempo de fazer um balanço sobre os serviços de turismo oferecidos na competição, uma prévia do que deve acontecer no ano que vem, quando 32 nações estarão representadas na Copa do Mundo. O balanço não parece ser muito positivo.

No ano passado, o Ministério do Turismo publicou uma vasta pesquisa “Estudo da demanda turística internacional 2005-2011”, que esmiuçou o perfil do turista de fora que visitou o Brasil no período. Do total pesquisado, 46.1% vieram a lazer em 2011, sendo que desse total 62,1% estavam atrás de sol e praia e 24,6% estavam interessados em naturismo, ecoturismo e aventura.

Isso já dá uma mostra de qual tipo de serviços e destinos extras podem ser incrementados para o público da Copa. Na África do Sul, a média de pernoites no país entre os jogos foi de 14 dias. E a média de cidades visitadas chegou  a 3.

Analisando a pesquisa, chega-se à conclusão que os pontos negativos ou de atenção levantados de acordo com a visão dos turistas ainda não estão nem perto de serem resolvidos, ou minimizados.

As avaliações mais fracas de satisfação foram quanto à limpeza pública, segurança, telecomunicações, serviços turísticos, rodovias, aeroportos e, o mais criticado, os altos preços cobrados.

Parece incrível que os problemas vistos durante essas duas semanas de competição estejam quase todos nessas mesmas áreas. Como era um grupo menor de países, com fluxo de turistas pouco acima do normal, não se viu gargalos nos aeroportos.  Para o ano que vem, é outra história.

Mas a precária sinalização turística, com ridículos erros de inglês, as cenas de sujeira no entorno  dos estádios e o clima de insegurança gerado pelas manifestações políticas deixam lições que precisam ser aprendidas.

E é bom ter em mente que preço alto afugenta turista. Teve pacote de ponte aérea Rio-SP custando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Diárias de hotel a R$ 700,00. E a média diária de gastos per capita por turista não passou de US$ 72 em 2011.

A melhoria nas telecomunicações é urgente. A Copa de 2014 deveria ser a Copa 4G, mas há dúvidas se isso vai se concretizar.

É bom destacar que  mais de 32% dos turistas estrangeiros em 2011 buscaram informações sobre o Brasil na internet, mas são poucas as páginas que disponibilizam seu conteúdo em inglês. Menos ainda em espanhol.

O trabalho é tornar a estadia do turista tão encantadora que ele amplie suapresença além dos período dos jogos, conheça nossa cultura e produtos, programe um retorno em breve e transmita essa experiência para amigos e parentes.

Copa não é só futebol, transmissão de TV e discussão (justíssima) sobre gastos públicos. É uma oportunidade de negócios gigante.

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