10 saídas para a seleção brasileira

Chega de Dungas e jogadores medíocres. Chega de dirigentes que só pensam em dinheiro e não sabem quantos lados têm a bola

Robson Morelli

30 de junho de 2015 | 12h17

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Mais do que ser eliminado da Copa América precocemente diante do Paraguai, o Brasil corre riscos de não participar de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. Desde que a Fifa organizou a competição em 1930, vencida pelo Uruguai, o time sempre esteve presente. Ganhou cinco vezes. Depois do 7 a 1 contra a Alemanha dentro de casa no Mundial, no ano passado, e do que veio depois, como corrupção, prisão, Dunga e novos fracassos, ficar fora da disputa na Rússia seria a pá de cal no futebol brasileiro.

O bonde perdido após o fiasco do time de Felipão na Copa ficou para trás. Nada aconteceu depois da surra para a Alemanha e da humilhação mundial. Novo bonde passa à nossa frente agora após a Copa América. O futebol, de modo geral, precisa ser repensado. Veja 10 saídas para o Brasil.

1 – Trocar o comando da CBF

Marco Polo del Nero, que não esteve com a seleção na Copa América, tem seu trabalho questionado desde que participou, junto com Marin, da escolha da comissão técnica liderada por Dunga e Gilmar Rinaldi. Também não pegou bem sua volta ao Brasil de fininho após a batida do FBI em Congresso da Fifa, mês passado, quando Marin foi preso. Novas eleições, com candidatos ligados ao futebol, ex-jogadores, novos dirigentes, poderiam dar mais ‘saúde’ à Casa do  futebol brasileiro. Não há clima para sua permanência.

2 – Mudar o comando as Federações Estaduais

Mesmo os que assumiram o cargo recentemente, como Reinaldo Carneiro Bastos, em São Paulo, mas que já estava na função ou próximo dela há anos, deveriam dar passagem para gente nova, de cabeça fresca e menos viciada. Há muitos dirigentes no comando por anos. Há uma subserviência latente dessas entidade ao comando na CBF. Todos beijavam a mão de Teixeira, depois de Marin e agora de Marco Polo. São ajudados financeiramente. É preciso fazer uma limpa.

3 – Conversar com os patrocinadores

Os patrocinadores da seleção precisam ser ouvidos sobre alguns acordos da CBF com empresas que ‘vendem’ a seleção. Esses contratos firmados até 2022 ou mais, para jogos amistosos, têm de acabar. A CBF precisa recuperar o domínio da seleção e pensar para ela o que for melhor. Se for melhor passar uma semana treinando em Teresópolis aprimorando chute a gol, que seja. Chega de amistoso sem qualquer finalidade a não ser ganhar dinheiro.

4 – Direitos de TV

A seleção não pode estar vinculada a somente uma emissora de TV, como está há anos na Rede Globo. O Brasil pertence a todos, e assim deve ser. Isso não mudaria em nada o ganho da CBF. Basta dividir a cota e os direitos, de modo a todos poderem mostrar os jogos. Os melhores profissionais mostrarão com mais informação e graça. Provavelmente será a própria Globo a ganhar essa parada. Mas terá de competir.

5 – Conselho Brasil

A CBF deveria formar um grupo de notáveis para tomar conta da seleção, ajudar nas convocações e nos amistosos, nos treinos e em todo o trabalho. Esse Conselho Brasil poderia ser formado por ex-jogadores escolhidos até em votação popular pela internet, com nomes previamente sugeridos pelo novo comando da CBF. Gente no nível de Zico, Falcão, Rivellino. Ex-jogadores que têm alguma coisa para ensinar e que jamais vão colocar seus nomes em transações escusas e que não sejam para o bem do futebol.

6 – Comissão técnica

Dunga e seus parceiros, Gilmar e Cebola, na seleção tiveram chance e fracassaram. Então, a comissão deveria ser trocada imediatamente, antes do início das Eliminatórias. Dunga não é esse cara para mudar o que está aí. Ele não tem condições técnicas de pensar o futebol da seleção nem de dar um padrão de jogo ao time, tampouco de cair na graça dos jogadores e da própria torcida. Dunga perde o controle quando as coisas não estão dando certo e entende o futebol como uma guerra. Joga para ganhar e não para se resgatar o bom futebol que, consequentemente, dará as vitórias à equipe. Não serve, como se comprovou em 2010 e agora. De nada adianta ganhar amistosos.

7 – Convocação

O Brasil precisa ter jogadores bons em cada posição, mesmo se eles estiverem jogando no País. Não dá para apostar em atletas de praças distantes do futebol, como China e mundo árabe, em detrimento de jogadores de Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Atlético-MG, Inter. Chega de inventar meninos na seleção só porque eles estão na Europa também. Chega de privilegiar ‘amigos’ ou ‘simpatizantes’. A seleção tem de ter os melhores. Por isso que as convocações não podem pertencer somente ao treinador, no caso Dunga, mas a um grupo de notáveis com ideias e pensamentos parecidos.

8 – Jogadores  

É preciso recuperar a vontade e disposição nos jogadores de servir a seleção. Daí também a importância da presença de jogadores do passado na comissão ou junto dela. Essa harmonia entre time e comissão técnica e torcida precisa existir sempre. O engraçado é que o Brasil tinha isso na Copa do Mundo. Agora não tem mais porque os jogadores convocados por Dunga não têm identificação com o País, salvo um ou outro.

9 – Jeito brasileiro de jogar

O Brasil não joga mais como antes. Além da qualidade ruim dos jogadores, não existe mais um padrão. O Brasil perdeu a graça e a ginga. Não toca mais a bola nem fica com ela. Atua nos contra-ataques. Vale-se das bolas aéreas. Não dribla nem tem a bola nos pés. Meias são deslocados para as laterais. Criadores têm de marcar e destruir. Nem centroavante de área o time tem. Importamos um jeito de jogar que não é nosso. E sofremos com ele.

10 – Ganhar nem sempre é o caminho

Treinadores da escola de Dunga só pensam em ganhar, mas nem sempre esse é o caminho correto para resgatar o futebol brasileiro. Vencer a qualquer custo, de qualquer maneira, não forma time nem jeito de jogar, duas carências do futebol brasileiro e da seleção, especificamente. É possível jogar bem e ser competitivo. O futebol brasileiro também carece de mais inteligência e menos vigor físico dentro de campo. A correria nunca foi a nossa.

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