A banda do Juvenal anda desafinada

Robson Morelli

18 de maio de 2011 | 07h00

COLUNA PUBLICADA NO JT DESTA QUARTA 18

Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. E um dos técnicos em atividade no Brasil, Paulo César Carpegiani, poderia ter se livrado da ansiedade e pressão que atrapalham o rendimento de qualquer profissional. Poderia estar desempregado não fosse a decisão de Juvenal Juvêncio de mantê-lo no posto, sabe-se lá até quando. O São Paulo continua com seu treinador para o início do Campeonato Brasileiro.

Não vai dar certo, digo já. Se com tudo afinado a banda corre o risco de não agradar, imagina nessa condição de cada um tocar ao seu bel prazer, como acontece no elenco do Morumbi.

Os problemas são muitos, e de diversas ordens. O foco imediato é na relação entre Carpegiani e alguns jogadores. O caso não é tão fácil de ser desembaraçado. Refiro-me a Rivaldo. O meia estava na dele em Mogi e foi convidado por Rogério Ceni a disputar a temporada. Ceni é quase um presidente no CT. Suas palavras ecoam com peso a ser levado em consideração, até mesmo pela comissão técnica. E Rivaldo não está nos planos do treinador, embora ele jure o contrário. O impasse se fez.

Aí o incêndio se alastrou e todo jogador não utilizado se achou no direito de reclamar.
Juvenal nunca deixou claro quem é que manda além dele. Publicamente, não tomou partido. Ou seja, enfraqueceu Carpegiani no grupo. Agora surgiu com os panos quentes.

Leco e Jesus Lopes, as vozes e os olhos do presidente no CT, também levam a banda cada um a seu estilo. Desafinados. Há uma disputa de poder não assumida para saber quem manda mais.

Em alguns casos, o que um diz o outro refuta ou informa que não é bem assim. Um dos principais desafios no futebol em qualquer um dos seus segmentos é administrar a vaidade, esse desejo de ser alvo de atenção o tempo todo. E o Morumbi é o campeão das plumas e paetês. Juvenal entende de futebol e desafia os que acham o contrário a provar. Mas ele não podia, expert que é, deixar o futebol do clube chegar a esse ponto.

Não vou aqui nem entrar no mérito das provocações e bravatas da torcida, das pipocas atiradas na porta do CT e das ameaças aos jogadores porque entendo que tudo isso é uma grande bobagem dos chamados torcedores organizados, que ainda não aprenderam qual é o seu papel nesse cenário. Certamente não é o de bater em ninguém. O São Paulo já esteve na vanguarda da organização do futebol. Não está mais.

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