A chacina na Pavilhão 9, do Corinthians, prova a ‘infiltração’ nas torcidas uniformizadas

A chacina na Pavilhão 9, do Corinthians, prova a ‘infiltração’ nas torcidas uniformizadas

Não é de hoje que os órgãos competentes investigam a participação de criminosos na festa do futebol

Robson Morelli

21 de abril de 2015 | 16h07

Não é de hoje que o Ministério Público e órgãos de inteligência da polícia investigam a possível ‘infiltração’ de gente do crime nas torcidas organizadas. A chacina desta semana contra membros da Pavilhão 9 do Corinthians, com o assassinato de oito pessoas, provou isso da pior maneira possível, com sangue. As mortes em nada tiveram a ver com rixa de torcida. Isso não é motivo para comemorar porque não se deve comemorar morte seja de quem for ou por qual motivo, mas pelo menos nessa o futebol não é pano de fundo. É tão condenável matar pelo futebol quanto por qualquer outro motivo, que fique claro esse ponto de vista.

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Ocorre que a chacina, da forma brutal que foi, sem qualquer chance às vítimas, abre uma nova discussão sobre a natureza e a existência das torcidas uniformizadas. O tráfico de drogas e as próprias drogas estão dentro dos barracões, não há mais dúvidas. Vale ressaltar que há menores que fazer parte dessas torcidas, portanto, sujeitos a tudo isso. Mas parece que ninguém se importa. Assim, as organizadas, condenadas de norte a sul do Brasil por suas brigas sem compaixão nos estádios e mais recentemente em qualquer lugar das cidades, também passam a ser criticadas por alimentar o trânsito de criminosos em suas fileiras.

E aí é muito fácil confundir um torcedor de um traficante, uma vez que os traficantes se infiltraram nas uniformizadas porque queriam ser confundidos com simples torcedores. Ninguém sabe mais quem é quem. Não digo que todas as Organizadas estejam contaminadas, mas também não defendo o contrário.

Agora, a meu ver, há dois motivos para que as instituições de polícia e fiscalização promovam ações no sentido de pedir o fim desses grupos organizados. Oito pessoas foram mortas, e até onde se sabe, de acordo com as investigações preliminares, apenas uma estava envolvida com drogas, e morreu por dívida no tráfico. As outras sete poderiam ser poupadas, se é que não estavam, de fato, envolvidas. Suas famílias choram o sangue derramado.

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