A conta da arena chegou ao Corinthians, a dívida é grande, mas o time não vai perder o estádio

Clube promete ir à Justiça para pagar sua conta com o banco até 2028, como diz ter sido combinado

Robson Morelli

13 de setembro de 2019 | 10h44

Amadores… A lição número 1 que se tira das tratativas do Corinthians com a Caixa Econômica Federal e a construtora Odebrecht é a má negociação do clube. Em algum momento, parece não ter ficado claro para as partes, com documentação assinada entre os envolvidos, que o Corinthians pagaria sua dívida até 2028, em mensalidades de R$ 6 milhões e R$ 2,5 milhões.

Cadê os documentos… Porque se isso estivesse acordado, com papel assinado como deveria, a Caixa não cobraria o clube numa tacada só: R$ 450 milhões. O Corinthians não tem esse dinheiro para pagar a dívida, tampouco se preparou para fazer caixa.

Dinheiro do mês… As informações que vêm do clube dão conta de que essa corrida para pagar as parcelas é feita dentro do próprio mês vigente. Ou seja, o Corinthians levanta o dinheiro hoje para pagar amanhã. Vende o almoço para pagar o jantar. A dívida do clube gira em torno de R$ 400 milhões, sem contar sua pendência com a construção da arena. Essa é uma dívida do futebol e do social do Corinthians. Nada a ver com o estádio.

O clube não perde o estádio… Algumas coisas precisam ficar claras sobre esse episódio Caixa x Corinthians. O Corinthians não vai perder o estádio. nem vai deixar de mandar suas partidas lá, a não ser que alguma liminar desse processo, em caso de ele ir para a Justiça, determine isso, determine, por exemplo, que o estádio não será usado enquanto as partes não chegarem a um acerto. Mas isso é pouco provável que aconteça. Portanto, o corintiano continuará tendo o estádio em Itaquera.

A conta chegou… Ao Corinthians e sua diretoria, atual e antiga, vale o puxão de orelha. Como um clube do tamanho do Corinthians não faz as coisas certas, com documentos assinados e válidos? Não é possível que todos no clube acharam que a conta não viria. Estavam errados. Ela veio. Todos precisam ser responsabilizados. E olha que o torcedor tem feito sua parte na maioria das partidas, na grande maioria. O público tem sido grande na arena. Para jogos grandes e jogos pequenos.

Pouca arrecadação… Então, seus dirigentes deveriam ter dado mais atenção aos contratos, à necessidade de pagar o que deve, de fazer dinheiro para arrecadar mais. Isso, na verdade, tem sido feito, ora com mais sucesso, ora com menos. O Corinthians trabalha para fazer a arena dar dinheiro. Mas tem sido pouco.

R$ 1,4 bilhão… A verdade é que todos os clubes que erguem estádios passam por momentos difíceis no futebol. Não é diferente no Corinthians. O clube deveria ter mais “vontade” em quitar essa pendência, em se cercar para não correr riscos de ser cobrado em público, como está acontecendo agora. O estádio do Corinthians, ao todo, deve custar R$ 1,4 bilhão, contando juros. Ele foi orçado em R$ 800 milhões.

Sem nome… O que faltou nessa conta corintiana foi o dinheiro do batismo do estádio, que o clube nunca conseguiu fazer. A estimativa em 2014 era obter R$ 400 milhões.

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