A culpa é da Conmebol, consequentemente, da dona Fifa

A culpa é da Conmebol, consequentemente, da dona Fifa

O gás de pimenta que parou Boca e River na La Bombonera foi a gota d'água de uma competição falida e de uma gestão amadora

Robson Morelli

15 de maio de 2015 | 11h36

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Uma entrada violenta sem punição. Isso é Libertadores! Divididas duras e expulsões como ocorreram no jogo do Corinthians e Guaraní. Isso é Libertadores! Gás de pimenta na La Bombonera num Boca e River. Isso é Libertadores! Briga de torcida, morte, paralisação de jogo. Isso é Libertadores! Digo que é uma pena que um campeonato tão importante para os clubes sul-americanos, sobretudo os brasileiros, ainda seja conduzido dessa maneira, onde a agressividade desmedida e a rivalidade absurda tomam o lugar do bom futebol.

E a culpa de tudo isso é dos dirigentes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e, consequentemente, da senhora Fifa, que talvez nem saiba o que acontece por essas bandas no futebol. O gás de pimenta entre Boca e River é a gota d’água de uma gestão mal-conduzida do futebol da América do Sul. Há  muitos outros casos, mas esse desta quinta em Buenos Aires realmente provoca revolta e nojo da Libertadores. Há anos os cartolas da Sul-Americana só pensam em se enriquecer. Estão aí para o futebol. Muitos nunca chutaram uma bola. Não fazem nada para melhorar a disputa e admitem, já na arbitragem, partidas de muita rivalidade dentro de campo, desleais até. As regras adotadas na Libertadores parecem diferentes das regras do restante do futebol mundial. Vale tudo na Libertadores. Os clubes envolvidos em confusão não são punidos como se deve, as medidas são mínimas, apenas para dizer que alguma coisa foi feita. E assim vai de temporada em temporada. Uma grande pizza sul-americana, com sabor indigesto.

A Conmebol está falida como gestora. Seus dirigentes são os mesmos de décadas, e quem tenta entrar com cabeça nova, logo é enquadrado. Os clubes brasileiros deveriam abandonar a Libertadores ou exigir mudanças radicais na forma como o futebol é tratado na América do Sul. Del Nero poderia comprar essa briga, não acredito nisso, mas poderia. Blatter, que teve de colocar os pés por aqui durante a Copa, nunca deu a devida atenção para a forma com que a competição é disputada. Não dá mais para aceitar bravura e agressividade de um Boca e River, dentro e fora de campo, de um Corinthians e Palmeiras, e de tantos outros times ‘inimigos’ na América e em seus próprios países.

Futebol não é guerra, nem para esses ‘cabeças-de-bagre’ que insistem em atrapalhar os jogos da Libertadores. Já deu.

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