A demissão de Luxemburgo

Robson Morelli

24 de setembro de 2010 | 08h38

A demissão de Vanderlei Luxemburgo do Atlético Mineiro era iminente, questão de dias.  Nesta semana, quarta-feira, a coluna Em OFF, do Jornal da Tarde, assinada por mim e pelo companheiro Marcius Azevedo, havia publicado uma nota dando conta de que o elenco do Galo estava cada vez mais afastado do treinador. Os jogadores faziam reuniões sem a presença de Luxa, indício básico de que o técnico começava a ser olhado com desconfiança.

O respeito foi perdido. Alguns líderes do elenco já não confiavam mais no trabalho do treinador e de sua comissão. Diziam em pequenas rodas que Luxemburgo estava decadente, que com ele o Galo não sairia do buraco em que se meteu nesse Brasileiro. É claro que nada disso chegava aos ouvidos do comandante. Não diretamente, mas macaco velho que é, sabia exatamente o que estava acontecendo. Era escanteado aos poucos.

A demissão após a derrota para o Fluminense por 5 a 1 foi a gota d’água que faltava para que a diretoria tomasse a decisão que vinha adiando há semanas. Há uma multa de R$ 14,5 milhões referente ao tempo de contrato em dobro em caso de uma das partes querer se livrar da outra. Até ontem, quando se despediu do cargo, no Engenhão, Luxemburgo não havia comentado nada sobre recebê-la ou abrir mão dela, como fez Dorival Júnior no Santos.

O treinador agradeceu, como sempre faz, às pessoas com quem trabalhou em Minas, citando a direção do Atlético, o torcedor e até a imprensa. Rechaçou o que todos comentavam em Belo Horizonte nas últimas semanas: que estava velho. Admitiu, porém, e isso é bom porque somente ele tem a ganhar, que precisa rever alguns conceitos, saber onde derrapou, fazer uma reciclagem do seu trabalho e do trabalho das pessoas que o  acompanham (Antônio Mello).

O que se fala por aí também é que Luxemburgo precisa se envolver mais com o seu trabalho de técnico se quiser ainda ser técnico, que deve deixar outras funções do futebol de lado, que deve se concentrar no dia a dia do time para que não falhe novamente. O fracasso no Galo não é o seu primeiro, embora ele nunca tenha deixado uma equipe em situação tão dura num campeonato, com risco de ser rebaixada para a Segunda Divisão, de novo.

A campanha do Atlético no Brasileiro:
24 jogos
21 pontos
6 vitórias
5 empates
15 derrotas
29 gols marcados
45 gols sofridos

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.