A diferença entre Tite e Muricy, do Corinthians e do São Paulo

A diferença entre Tite e Muricy, do Corinthians e do São Paulo

Enquanto o técnico do Tricolor trabalha feito um condenado, seu colega parou um ano para estudar e se reciclar com calma

Robson Morelli

23 de fevereiro de 2015 | 15h53

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Corinthians e São Paulo estão na mesma chave da Libertadores, juntamente com Danubio e San Lorenzo. Apenas os dois primeiros de casa grupo passarão para a próxima fase. No confronto em que o time de Tite era mandante, o Corinthians sobrou diante do rival brasileiro. Algumas explicações do passeio podem estar diretamente ligadas aos treinadores. Enquanto Tite se modernizou em período sabático fora do futebol, com calma e tranquilidade, Muricy Ramalho foi internado algumas vezes por problemas de saúde e voltou à beira do gramado tão logo recebeu alta. Trabalha feito um condenado.

Quero dizer com isso que o treinador corintiano se reciclou, respirou novos ares, bebeu de outra fonte. E agora, nesse começo de temporada, mostra-se mais antenado do que Muricy, que tem um elenco mais técnico na minha opinião. Tite aprendeu a atacar sem perder o poder defensivo característico de suas equipes. Joga mais para frente que antes. Isso não quer dizer que o  treinador moderninho vá ganhar tudo na temporada. Claro que não. Há muito mais quesitos no futebol que determinam uma vitória ou uma conquista. Mas é inegável que Tite fez do Corinthians um time mais competitivo até agora do que o São Paulo, de Muricy.

O comandante tricolor, por sua vez, joga e monta seu time para ganhar os três pontos daquela rodada. Se perde, é porque o rival foi melhor. Muricy não é de formar um esquadrão para jogar sempre da mesma maneira, com padrão definido, até porque ele se apega demais às peças e não no esquema de jogo. E todo mundo sabe que no futebol brasileiro, técnico nenhum consegue repetir formações.

Muricy  também tem sido pressionado pela diretoria do São Paulo, não de forma veemente ou direta. Talvez isso nem aconteça no Morumbi como se imagina, mas é inegável que as alfinetadas estão acontecendo há tempos. Contra o Corinthians, no Itaquerão, a torcida vaiou o treinador. Essa mesma torcida teve os ônibus que a levaram para o estádio pagos pelo presidente do clube. Achei isso muito estranho. Neste sábado, o torcedor comum valorizou o trabalho do treinador, totalmente identificado com as cores do clube. Acredito que Muricy não esteja confortável no cargo nesse momento. Mas isso é só uma impressão.

Ele sabe que tem gente de peso no Morumbi que não gosta do seu trabalho. Ocorre que o presidente Carlos Miguel Aidar é uma bomba-relógio capaz de explodir fora da hora marcada, e isso faz do futebol um barril de pólvora sempre pronto para estourar. Dentro de campo, no entanto, ele talvez esteja ultrapassado. Talvez viva do vírus que contamina alguns dos bons técnicos do futebol nacional de tempos em tempos, como Parreira, Luxemburgo e Felipão, que já ganharam de tudo, mas que sempre são questionados.

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