A Fifa não sabe se sorri ou se chora. Faz os dois ao mesmo tempo

Robson Morelli

12 de abril de 2013 | 10h23

A satisfação da Fifa com a organização da Copa das Confederações resume-se a 50% apenas. Meio aplauso, meia bronca. É conta matemática. Dos seis estádios prometidos para receber jogos da competição, apenas três foram entregues e estão em condições satisfatórias, ou até mais que isso. São eles: Mineirão, Castelão e Fonte Nova. Para os outros três, há promessas de entrega neste mês ainda. O gigante Maracanã, imponente ao pé do Cristo, abre suas portas ao mundo dia 27 para a partida entre os amigos de Ronaldo contra os amigos de Bebeto. Os jogadores pegarão o estádio quentinho, porque os organizadores prometeram para o governo e para a Fifa entregar as obras terminadas, 100%, no mesmo dia da partida. É claro que isso não vai dar certo. Felizmente, e se espera por isso, o jogo é mais uma brincadeira do que qualquer outra coisa. Caso contrário, o teste do Maraca pode ser um tiro no pé.

O episódio da Arena Grêmio, que não está na Copa nem nas Confederações, ainda assombra o Comitê Organizador Local. Por quê? Porque sua inauguração foi um desastre do ponto de vista da condição do gramado. Havia muitos detalhes ainda por terminar da construção também. Mesmo assim, como o presidente do Grêmio estava passando o bastão, ele queria inaugurar o novo campo do clube a fim de entrar para a história. E assim se fez. Ocorre que o jogo do Grêmio contra o Hamburgo, uma festa linda, ganhou nota baixa porque o gramado não ajudou. Pior. Atrapalhou. O Maracanã corre o mesmo risco. E se isso acontecer, serão imagens que ganharão o mundo.

O Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena Pernambuco estão na mesma situação, com sinal de alerta acionado. O estádio do Distrito Federal terminará tudo o que nele precisa ser feito até dia 18 de maio, tarde, portanto, para receber a abertura da Copa das Confederações. Dia 21, aniversário de Brasília, haverá a primeira partida oficial entre os finalistas do Estadual candango. Não se sabe ainda quem serão os rivais. É jogo marcado no escuro, e tomara que o novo estádio não fique nessa condição (no escuro) e que tudo seja visto e mostrado a contento. Essa certeza também ainda não existe, embora é preciso dar votos de confiança aos responsáveis. E assim será também. O fato é que é temerário entregar um gigante estádio de futebol para uma competição da Fifa faltando menos de um mês para seu início. A Copa das Confederações começa dia 16 de junho. Barbas de molho, portanto, nobres colegas.

Se a comparação servir, a África do Sul teve problema semelhante nesse quesito, e em outros mais nas competições de 2009 e 2010. Não era, no entanto, o que se esperava do Brasil, o país da moda também na economia. Prometido para ser entregue neste domingo, a Arena Pernambuco corre pelo mesmo caminho, com estreia prevista somente para 14 de maio. De duas uma, então: ou o acerto será majestoso ou a vergonha retumbante. Tomara que seja a primeira, mas não vou me surpreender se for a segunda opção.

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