A Fifa tenta se colocar como refém das decisões do governo e CBF sobre a Copa

Robson Morelli

19 de maio de 2014 | 20h05

Com a presença de Jérôme Valcke no Brasil em definitivo a partir desde segunda-feira, a ‘família Fifa’ se instaura de vez no País-sede da Copa do Mundo. As seleções começarão a desembarcar no Brasil para a fase de preparação dos times, muito comum nesta etapa da competição. O Brasil também será um dos primeiros a se juntar para o torneio. A turma de Luiz Felipe Scolari se apresenta na próxima segunda na nova Granja Comary, em Teresópolis, onde estará também parte da equipe do Estado para acompanhar a seleção.

Valcke vai rodar o Brasil para vistoriar pela última vez os estádios. Aprovará todos. O secretário-geral da Fifa voltou fazendo propaganda do Mundial. “Vai ter Copa”, garantiu. Não há mais dúvidas disso. De três semanas para cá, a Fifa se esforça para desvincular sua imagem do Brasil e dos organizadores do COL. Adota um discurso de que todas as decisões referentes ao torneio partiram do governo brasileiro, primeiramente comandado por Lula e depois por Dilma, e da CBF, com Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Algumas declarações do próprio Valcke nos fazia entender que a Fifa apenas cumpriu o que os mandachuvas do País propuseram, com 12 sedes e não oito como queria a entidade.

Sabemos que não é bem assim e que a Fifa se fez ouvir em todas as decisões. É impossível tirar o nome da Fifa desse balaio. Blatter e Valcke assinam esse Mundial, como também os governos e a CBF. Nada aconteceu por acaso. Não aconteceu sem que essas partes soubessem e validassem. E todos sabiam exatamente o que estava acontecendo e como seria a disputa e sua organização, seu legado até.

Refiro-me aos gastos, às obras colocadas em pé, mas também às obras que não saíram do papel e o que ficou apenas na promessa. O fato de a Fifa querer jogar toda a responsabilidade no governo e CBF tem razão de ser: a preocupação com que seus membros, inclusive Valcke e Blatter, estão de chegar ao Brasil. Torcem para que tudo corra em paz nas arenas de norte a sul do País, nos hotéis onde estarão, e que não sofram pressão popular ou até tentativas de agressão, como ocorreram algumas na Copa das Confederações no ano passado.

A Fifa entende que a Copa do Mundo será uma grande festa sobretudo quando a bola começar a rolar, mas não descarta e tenta se prevenir dos protestos e possíveis perseguições. Embora seu discurso seja ameno sobre as manifestações no País, ela não vai pagar para ver. E se vale dessa estratégia para não ter problemas. O que Valcke, Blatter e companhia querem é que tudo saia conforme o combinado, que o Mundial não tenha mais problemas e que eles possam deixar o País o quanto antes para se dedicar à próxima edição do evento, na Rússia, em 2018.

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