A história de um novo calendário

Robson Morelli

21 de setembro de 2009 | 17h38

A reportagem a seguir foi publicada por mim no JT.

A unificação do calendário do futebol brasileiro ao europeu ainda vai dar
pano para manga. Mas o que antes era execrado à primeira manifestação pública, passou a ser assunto obrigatório nas entidades que comandam o futebol, como CBF, Clube dos 13 e Rede Globo.

Já há um embrião para esse novo formato, entregue dia 3 de setembro a
representantes do Ministério do Esporte, em Brasília. Do ministério para as mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um pulinho. Lula e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, estiveram juntos em agosto para discutir temas ligados à Copa do Mundo de 2014.

A mudança no calendário foi um dos assuntos conversados. Lula pediu a Teixeira medidas para fortalecer os clubes e segurar os craques no País.

Desde então, mudar o início do futebol pentacampeão do mundo de janeiro para agosto passou a ser uma possibilidade não mais descartada como era tempos atrás.

Tive acesso ao esboço do novo calendário e formatos dos torneios
regionais e nacionais que foram entregues ao Ministério do Esporte, feito
pelo engenheiro mecânico de Joinville (SC), Horácio Nelson Wendel, 60
anos – o mesmo que desenhou a tabela do Campeonato Brasileiro para a CBF em 2001.

Para que as ideias de Wendel sejam aprovadas, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) teria de entrar na discussão e aceitar mudar a Libertadores, por exemplo, para o segundo semestre do ano.

No projeto, competições como o Paulistão (e todos os estaduais) teriam 14 datas. Voltariam a figurar no calendário os torneios regionais, como o Rio-São Paulo e a Copa Sul-Minas, com 10 datas. A Copa do Brasil teria 32 clubes e não mais 64. O torneio daria vaga para a Libertadres e para a Sul-Americana. E também teria 10 datas, contando ida e volta.

Seria possível neste esboço que o mesmo time disputasse a Copa do Brasil e a Libertadores, uma vez que a competição sul-americana seria realizada no segundo semestre. “É importante ressaltar que os clubes teriam atividades durante todo o ano. Iniciaria um torneio para o qual se classificou logo que terminasse o anterior”, diz o pai do projeto.

O Campeonato Brasileiro começaria em agosto, seria disputado nos fins de
semana e teria 34 rodadas, portanto, 18 equipes. Somente três cairiam.
Ricardo Teixeira ficou de mostrar a Lula uma proposta sua do que seria o
novo calendário. Ainda não está pronta.

A Globo sabe que nada mudará até 2011, até quando tem contrato nos moldes do futebol que aí está. A emissora pagou por três anos de acordo R$ 1,4 bilhão ao Clube dos 13 e sabe que por isso tem voz ativa na discussão. Fábio Koff, do Clube dos 13, entende que o assunto requer a atenção dos
times. Colhe informações sobre as necessidades das partes envolvidas para
depois ter posição única. A CBF faz o mesmo. Sabe que irá mexer num
vespeiro, mas está disposta a ir em frente. Prometeu isso a Lula.

Estaduais: 14 datas aos domingos e quartas-feiras. Começaria dia 31 de julho

Regionais, como Torneio Rio-São Paulo: 10 datas. Começariam dia 26 de dezembro

Copa do Brasil: 10 datas, com 32 clubes. Somente às quartas-feiras. Mata-mata do começo ao fim. Começaria dia 1º de fevereiro.

Sul-Americana: 10 datas, dia de semana (quartas). Oito clubes brasileiros, com 32 ao todo. Jogos eliminatórios ida e volta. Começaria dia 12 de abril.

Libertadores: Segundo semestre e não mais no primeiro. 14 datas, sempre às quartas-feiras. O Brasil teria cinco times: quatro do Brasileiro e um da Copa do Brasil.

Brasileirão: 34 datas, 18 clubes. Somente aos sábados e domingos. Começaria dia 7 de agosto. Teria 10 meses de competição. Três cairiam.

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