A ideia de João Havelange: perdoar as dívidas dos clubes

Robson Morelli

11 de abril de 2011 | 20h49

Posso estar enganado, e espero que esteja mesmo, mas não acho que o presidente de honra da Fifa, o brasileiro João Havelange, tenha assoprado por acaso ao jornal O Globo que o governo federal deveria perdoar as dívidas dos clubes de futebol. Essa é uma velha discussão que se tem no Brasil e boa parte dessa pendência do futebol com o Fisco já foi negociada em parcelas. Ocorre que os clubes estão sempre passando o pires.

Veja o caso do Corinthians. Anunciou ter tido dois anos de muito dinheiro em caixa, 2009 e 2010, por conta de Ronaldo e da Libertadores, com patrocinadores de fazer inveja a clubes da Europa, como gosta de falar seu presidente, Andres Sanches, mas continua com sua dívida na casa dos R$ 100 milhões, mais precisamente R$ 110 milhões. Ou seja: ganhou os cobres e fez sumir os cobres como seus antecessores.

O Corinthians não está sozinho nessa situação. Quase todos os grandes do Brasil devem, para não dizer que todos devem. O pedido de perdão de João Havelange cheira a mais uma manobra da cúpula do futebol brasileiro que teria sua fatura rasgada por conta da Copa do Mundo de 2014. Já que estamos passando o País a limpo, refazendo estádios e dando um salto no futebol brasileiro, por que não então esquecer as dívidas e começar uma nova etapa do zero?

Espero estar errado porque não acho que os clubes de futebol mereçam essa oportunidade. Não vejo neles, ao mesmo nos últimos 20 anos, qualquer esforço para ganhar tal perdão. São entidade que ganham e movimentam muito dinheiro e que oferecem quase nada em troca. Nos estádios, a segurança é pública e não privada. Os mesmos estádios estão caindo aos pedaços, não há conforto, não há higiene, não há segurança.

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