A indignação de Tite e o silêncio da CBF sobre Carlos Amarilla

Não é certo generalizar, mas em função de tanta mazela no futebol, a tentação é grande de dizer que tudo é farinha do mesmo saco

Robson Morelli

24 de junho de 2015 | 09h38

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Aquela partida entre Corinthians e Boca Juniors já tinha motivos de sobra para ficar na história da Libertadores e do próprio time brasileiro. Gols desperdiçados, disputas tensas o carinho da torcida mesmo após a eliminação. Nesta semana, a partida de 2013 ganhou novos ingredientes para se eternizar: a armação dos dirigentes da Conmebol para escalar o árbitro paraguaio Carlos Amarilla, vazadas em gravações envolvendo Julio Grondona, da AFA, morto no ano passado.

Amarilla jura de pés juntos que não participou dessa armação para classificar o argentino Boca Juniors, mesmo anulando dois gols do Corinthians e deixando de marcar um pênalti. Ele está afastado pela confederação de seu país.

O Atlético-MG foi campeão e não há muito o que fazer em relação à disputa. Não tem como voltar atrás nos resultados. Mas há muito para reclamar, como fez Tite, indignado, ao se referir do episódio, agora com novas informações. Seus olhos e jeito de falar eram de muita raiva por Amarilla. Se pudesse, e fosse mais bronco, Tite esganaria o juiz. Não vale a pena. O mundo sabe o que aconteceu agora. Não acho que o Corinthians passaria pelo Atlético-MG, mas isso nunca saberemos.

A diretoria do Corinthians tem por obrigação levar esse caso até o fim, em solicitações e processos contra quem de direito. Já que o futebol brasileiro, sul-americano e mundial não tem mais dono, a hora é excelente para pressionar. A corrupção parece estar em todos os lugares. O futebol precisa de um fair play de seus dirigentes, com apenas uma orientação: é proibido ser desonesto. Metade dos cartolas vai pedir demissão. A outra metade terá de passar por uma reciclagem. Não sobra ninguém. É uma triste constatação.

É claro que generalizar nunca é certo, mas as evidências diárias nos fazem cometer essa deselegância.  O futebol precisa pagar sua pena. O comprometimento é tamanho que a CBF nada fez sobre o assunto. Pelo menos não até agora. Há um silêncio sobre tudo na casa do futebol brasileiro, como se nada fosse com ela. Parece proposital. Não quer ser arrolada a nada, não quer ser vista, se pudesse ainda diria que ‘não é com ela’.

O Corinthians também deveria acionar a entidade no Brasil, cobrar seus direitos e representação. A hora é essa. É preciso tirar nossos dirigentes do conforto de décadas. E o único caminho é a criação de novas entidades, com gente do futebol e com a participação do Ministério do Esporte. Uma Liga independente formada por alguns clubes insatisfeitos com o cenário, com os mandos e desmandos. Sem isso, voltaremos para o mesmo caminho.

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