A pena de 180 dias de Dudu, do Palmeiras, pode ser um divisor d’águas no futebol

Alguma coisa precisa acontecer de mais sério, como esse gancho, para uma mudança em campo, e não deve parar por aí

Robson Morelli

19 de maio de 2015 | 09h18

O futebol brasileiro vive tempos de desmandos. De modo geral, a safra é ruim desde a semente que vai para a terra até o fruto que cai da árvore. É preciso fazer muita coisa para melhorar o futebol em todos os sentidos, e também  é preciso começar por algum lugar. Que seja então pela punição de Dudu, que agrediu o árbitro Guilherme Ceretta na decisão do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Santos e pegou 180 dias de afastamento – seis meses sem poder jogar uma partida oficial. À decisão do tribunal, cabe recurso, e os advogados do Palmeiras já avisaram que vão recorrer. Descaracterizar a agressão, um empurrão pelas costas com as duas mãos juntas, de forma covarde porque foi por trás, é o caminho da defesa para abrandar a pena.

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A jurisprudência de Petros, do Corinthians, vai ser usada para esse trabalho, embora já tenha sido nesse primeiro instante. Petros fez o mesmo em jogo do Corinthians e pegou, em resumo, quatro jogos de gancho. A disputa no tribunal é de palavras e denominações. Agressão ou ato hostil? No entendimento do torcedor, que viu as duas imagens pela tevê repetidas vezes, isso pouco importa, como deveria também pouco importar as bandeiras que esses jogadores defendem. A hora é de dar exemplo, de coibir o mal pela raiz, de rearranjar o futebol pela oportunidade que Dudu deu aos engravatados da justiça esportiva. É um começo.

Quando o futebol brasileiro tomou a decisão de punir clubes mandantes quando seus estádios eram invadidos ou quando um torcedor atirava objetos em campo, essa desordem diminuiu, talvez tenha acabado. O Corinthians foi desclassificado na Libertadores pelo nanico Guaraní, do Paraguai, e não houve confusão no Itaquerão. O torcedor chorou, mas não brigou, invadiu, quis bater nos jogadores. Isso é um avanço. Fosse em outras épocas…

Da mesma forma, jogador tem de parar de agredir árbitro, de reclamar em todas as jogadas, de colocar a culpa do juiz por tudo o que dá errado no rendimento de seu time. Se os árbitros são de doer, e alguns são mesmo, o nível dos jogadores também não é lá essas coisas. Na verdade, o nível é baixo. De modo geral, o Brasileirão que acaba de começar (duas rodadas) tem um ou outro jogar mais ou menos, um bando de atletas nota 5 e outro bando, maior ainda, formado por pernas de pau. Então, o espetáculo ruim dentro de campo não exclusividade da arbitragem.

A pena de Dudu é pesada sim, mas dará exemplo e servirá como divisor d’águas para educar os jogadores, assim como ocorre com a determinação da CBF de distribuir cartões amarelos para quem se aproximar em reclamação barata. Acredito que mais duas rodadas, os atletas já estarão entendendo isso de forma clara, e o futebol ficará mais ‘limpo’. Os jogadores estavam reclamando até de lateral. Um absurdo. É claro que os árbitros precisam trabalhar melhora também. Cobraremos. Mas imagino que sem tanta pressão, eles terão mais tranquilidade para apitar.

Com a arbitragem melhor e como os jogadores enquadrados, só falta resolver o problema da violência da torcida. Tratarei desse assunto em breve.

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