A perna treme na fase ruim. Jadson sentiu isso ao bater o pênalti do São Paulo e errar. Que fase!

Robson Morelli

18 de agosto de 2013 | 18h17

Na fase ruim, recomenda-se jogar sério, não inventar e fazer o mais simples possível até que o time, seja ele qual for, vença algumas partidas e saia do buraco que se meteu, ou ao menos respire um pouco mais aliviado. Esse é o momento do São Paulo, do Náutico, enfim, dos times que fazem até agora sua torcida sofrer no Campeonato Brasileiro. No caso do São Paulo, a crise já é a maior de sua história, sem ganhar uma partida há muito tempo, muitas vezes sem jogar bem também.

Contra o Flamengo, e também em outras partidas dessa dura corrida para salvar a alma, o São Paulo até que jogou bem. Não se trata de um time ruim, desses de carimbar logo na primeira rodada do torneio: vai cair ou vai brigar para não cair. Nada disso. O São Paulo não é ruim, mas não ganha. E essa fórmula de disputa, com todas as rodadas valendo três pontos e com 38 rodadas, dá a falsa impressão de que qualquer time, sobretudo os grandes, pode sair do buraco e se recuperar quando bem entender. Opa! Não é bem assim, que o digam os torcedores de Corinthians e Palmeiras – os palmeirenses sofreram na temporada passada e agora disputam a Série B.

Até duas semanas atrás, os são-paulinos com quem conversava davam risada para a possibilidade de ser rebaixado. Ora! O Brasileirão é longo e tem muito água para rolar debaixo dessa ponte. O São Paulo não cai. Essa certeza não é mais a mesma. Os são-paulinos estão com medo da queda, para muitos já anunciada. Aí, depois de um 0 a 0 com o Flamengo em Brasília, numa apresentação boa no Mané Garrincha, o São Paulo tem um pênalti a seu favor. Rogério Ceni, que personifica a má fase da equipe, mas é muito bom jogador, foi proibido de bater os pênaltis do time. E olha que Ceni faz isso há anos, talvez década. Não faz mais. Tanto não faz que ele não apareceu sequer na área rubro-negra para tentar o chute. Jadson foi para a bola. E quando a fase é ruim, o cara tem de jogar um arroz com feijão sem tempero mesmo, fazer o simples, não inventar, garantir o bicho. Não foi o que Jadson fez. E olha que ele talvez seja o melhor jogador do São Paulo nesse momento. Muitos são-paulinos nem quiseram olhar a cobrança. Jogadores do próprio time ajoelharam no gramado, demonstrando o tamanho da fé ou da falta dela em relação aos companheiros, já prevendo o pior, e o pior era errar. Jadson bateu fraquinho, nas mãos do goleiro Felipe, que só não ficou com a bola porque preferiu rebatê-la. Jadson errou.

Jadson tinha de encher o pé, no alto, bater seguindo a cartilha, naquelas condições indefensáveis que todo jogador sabe na ponta da língua. Deveria ter feito o simples, nada de chutinho no canto. Não era hora para isso e Jadson também não é um especialista desses que o futebol brasileiro tem em alta referência no fundamento. Então, meu filho, chuta para estufar a rede, chuta como se faz na várzea e ganha o jogo. Simples assim.

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