A Portuguesa acumula uma série de desmandos que só poderia ter um resultado: a falência

Time perde para o Oeste e está rebaixado para a Série C do Brasileiro: Lusa vive crise financeira e pior momento em campo

Robson Morelli

30 de outubro de 2014 | 12h41

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A morte anunciada da Portuguesa na Série B se consumou na derrota de 3 a 0 para o Oeste na noite de terça-feira, mas há muito tempo o time do Canindé já atuava sem espírito, afundado num elenco inchado de 47 jogadores refugos, uma crise financeira que comia o clube pelas beiradas e uma administração sem caminho a seguir. A combinação era mais do que perfeita para a derrocada. A Lusa, dessa forma, conseguiu descer mais fundo no poço, o que parecia impossível para muitos de seus torcedores ou mesmo para aqueles que sempre tiveram pela equipe do Canindé certo apreço e simpatia. A culpa não é de ninguém e ao mesmo tempo é de todos.

A chegada à Série C é apenas a consequência mais dolorosa de uma degradação que se acentuava há anos, feito um queijo duro carcomido por ratos. Ou seja, a Portuguesa não morreu contra o Oeste. Ela já vinha morrendo muito antes disso, quando deixou de investir no futebol e em times fortes, quando abriu mão de revelar jogadores, quando se negou a vender atletas promissores e fazer caixa, quando abusou do direito de demitir treinadores (foram seis nesta temporada), quando abandonou o social do clube, quando se comportou com desleixo ao escalar um jogador, Hevérton, suspenso, quando não percebeu que perdia forças na FPF e até quando deixou de vender os 800 bolinhos de bacalhau em dias de jogos no Canindé.

Antes de morrer, a Portuguesa perdeu a alegria de viver.

E o mais inadmissível nesse enredo é que nenhum de seus dirigentes dos últimos cinco anos ou mais tenha percebido que o navio estava afundando e que alguma coisa deveria ser feita imediatamente. O presidente Ilídio Lico disse ao Estado semana passada que a folha mensal do clube era de R$ 500 mil, e que sua arrecadação, na ordem de R$ 300 mil. Levando isso para as cifras do futebol, nem é tanto. Mesmo assim, nada foi feito para ao menos empatar, deixar de gastar ou arrecadar mais. Um jogador revelado e vendido poderia resolver a situação por anos, acreditando, diga-se, que o dinheiro faria o caminho que se esperava dele dentro do clube, sem desvios ou atalhos.

Campanhas também poderiam ser feitas em jogos importantes da Série A no ano passado e B desta temporada. Mas nada disso foi feito. A esperança se resumiu nos 90 minutos de cada jogo. Tudo no Canindé parecia ser de segunda linha. Hoje vejo que tudo era de terceira.

Não descarto ainda o fato de seus administradores colocarem objetivos pessoais na frente dos coletivos, de modo a salvar alguma coisa já que a vaca caminhava para o brejo. Nem mesmo a torcida ajudou. A pressão sempre foi gigantesca no Canindé e praticamente inexistente fora dele. Arquibancadas vazias antecipavam o montante da arrecadação. A morte era mesmo iminente.

O pior é enxergar futuro nessa Lusa que desce à Série C, onde as cotas serão ainda menores e as ajudas da CBF quase inexistentes, sem falar na dificuldade de conseguir patrocinadores e gente querendo apoiar. A Portuguesa talvez fique mais sozinha do que estava. Mas talvez não. A diretoria perderá os R$ 1,8 milhão da TV. Já havia perdido R$ 18 milhões da Série A. O planejamento está traçado: não cair no Paulistão e disputar só uma temporada na C.

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