A renovação proposta por Dunga e CBF passa por Kaká e Robinho: então não é uma renovação

A única situação que poderia contemplar os dois 'veteranos' jogadores diz respeito à Olimpíada de 2016, portanto, ao imediatismo

Robson Morelli

06 de outubro de 2014 | 15h45

Kaká e Robinho talvez estivessem no meu time para a Copa do Mundo que o Brasil perdeu em casa e de forma melancólica diante da Alemanha, aquele 7 a 1 que o torcedor não vai esquecer por muito tempo. Isso é uma coisa. Apostar nos dois jogadores, como Dunga tem feito agora, com a incumbência de fazer uma renovação na seleção é outra, bem diferente e longe do que o torcedor, de modo geral, espera. Daí muita gente torcer o nariz para o novo treinador do Brasil, que ganhou da CBF a missão de mudar a forma de conduzir o futebol da seleção, que se mostrou fora de sintonia com o que foi apresentado na competição mundial deste ano.

A única situação para Kaká e Robinho estarem no grupo, além do fato de fortalecer o time pontualmente, é a possibilidade de eles serem os maestros do Brasil na Olimpíada de 2016, no Rio. Talvez Dunga e Alexandre Gallo, sustentados pelos presidentes José Maria Marin e Marco Polo del Nero, já tenham definido que as posições mais carentes do time para o Rio 2016 sejam essas duas que Kaká e Robinho ocupem em campo. Como as seleções olímpicas podem se valer de três jogadores com idade acima dos 23, não seria demais supor que a aposta é na dupla paulista.

Isso é uma coisa. A outra, mais ampla e com caminho para a Copa do Mundo da Rússia, é preparar o futebol da seleção para as Eliminatórias Sul-Americana, Copa América e Mundial de 2018. Essa mudança proposta de formar grupos e treinar esquemas táticos depois dos 7 a 1 não se começa com o resgate de velhos jogadores. Robinho e Kaká estiveram com Dunga na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Portanto, não são novidades tampouco reformulação. Há outros chamados para servir o Brasil nesses jogos contra Argentina e Japão na Ásia que estão na mesma condição.

O que Dunga faz, e sabe fazer acima de tudo, é jogar para ganhar. Era assim nos tempos em que se sustentava dentro de campo e mais recentemente como treinador. E muito provavelmente será assim nessa nova passagem pelo Brasil. O que a CBF imagina é que na primeira conquista da seleção, o torcedor vai se render novamente à amarelinha e ‘perdoar’ o passado recente, mesmo que nada seja feito visando a modernização do nosso futebol e o fortalecimento da nossa condição competitiva, como vimos nos faltas diante dos grandes da Europa e até da América do Sul.

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