A resposta que vale R$ 1 milhão ou mais: para onde vai Messi no término desta temporada?

Craque argentino se aproxima da maior decisão de sua vida, permanecer ou deixar o Barcelona, clube no qual joga desde os 13 anos; ele sofre pressão de todos os lados, inclusive para se juntar a Neymar, em Paris

Robson Morelli

16 de fevereiro de 2021 | 14h08

Desde que assinou e mandou um “burofax” para a presidência do Barcelona pedindo desligamento do clube onde cresceu e está desde os 13 anos, uma pergunta se faz presente em todas as reuniões que tenha o craque argentino no centro dos holofotes: para onde vai Lionel Messi? A decisão é dura, e certamente muitas lágrimas já foram derramadas ou ainda serão quando esse futuro for traçado, dentro ou fora de La Masia, a fábrica de atletas do time catalão onde o próprio argentino for forjado quando era um “niño”.

Foto: Reuters

Havia a possibilidade de Messi sair no começo da temporada. Ele pediu isso quando viu o Barcelona dispensar alguns de seus melhores amigos, como Suárez, com quem pegava carona para treinar e voltar para casa e cujas mulheres são amigas. Messi não via sentido em ficar. Seu problema era com o presidente Bartomeu.

Ao lado do seu pai e de uma junta de advogados, viu brecha para sair sem ter de desembolsar nada. Mas foi contestado. Apareceu uma cifra de rescisão no valor equivalente a R$ 4,5 bilhões, muito dinheiro até mesmo para Messi, que recuou juntamente com seu estafe e preferiu deixar como está até o fim do contrato, agora no meio do ano, quando será um jogador “livre” como nunca desde que e profissionalizou. Tudo é novo, portanto, para Messi.

Em respeito ao Barcelona, até podendo deixar o clube em janeiro, ele preferiu evitar qualquer batalha na justiça.

Aos 33 anos, Messi comandará o time até o fim do seu contrato. Depois disso, há caminhos traçados, até de permanecer em Barcelona uma vez que no próximo dia 7 o clube vai passar por eleições para escolher novo presidente. Joan Laporta concorre e tem em Messi seu maior triunfo, embora o jogador não tenha se manifestado sobre nenhum dos três candidatos.

Se Laporta voltar ao comando do Barcelona, o astro argentino pode assinar novo contrato, em meio às dificuldades financeiras que bateram à porta do clube depois de anos de investimentos altos. O Barcelona paga pelo seu sucesso e terá de costurar um plano de negócios para se reerguer financeiramente. Para Messi, é mais fácil ficar do que sair. Seus filhos nasceram na cidade espanhola. A família está lá desde que o pequeno Messi tinha 13 anos, portanto, são 20 temporadas na Catalunha.

Desde que assumiu a camisa 10 das mãos de Ronaldinho Gaúcho, Messi brilha. Ele é o Barcelona nos últimos dez anos. Tudo o que aconteceu no clube passou pelos seus pés e decisão, e também há todas as suas premiações individuais como o melhor do mundo. Foram seis. Mas há muitas incertezas ainda.

Messi ainda não tem certeza de que há vida para ele fora do Barcelona. Os amigos assopram que sim. Há uma campanha para que ele se junte novamente a Neymar, e se acerte com o francês Paris-Saint Germain. Ele foi visto numa montagem da revista France Football com a camisa do PSG. Os amigos no clube francês pedem sua decisão em favor do Paris. Alguns já se manifestaram pela troca. Seria muito bem recebido. Ele tem amigos no PSG, além de Neymar. Há Di María, por exemplo, de sua geração da seleção argentina.

Com Neymar e Messi no PSG, Paris seria o novo centro do mundo do futebol. “O que eu mais quero é jogar com (Messi) de novo. Ele poderia jogar ate no meu lugar, não tem problema. Quero jogar com ele de novo e, na próxima temporada, temos de tentar isso”, disse Neymar em uma de suas entrevistas. Se isso acontecer, todos os jornais e sites teriam de ter um correspondente em Paris, como agora, quando esses dois ídolos se enfrentam pela Liga dos Campeões da Europa. Pena que o brasileiro não está em condições para essa primeira partida, na Espanha, entre Barcelona e PSG. Trabalha para jogar na volta.

DONO DO SEU PRÓPRIO NARIZ

Em meses, Messi será dono do seu primeiro nariz, livre no mercado, com condições de receber propostas de todos os cantos. E certamente receberá. Seus agentes precisarão se preparar para isso. Messi pode parar em qualquer lugar do planeta para mostrar seu talento, da China ou Japão a outros países da Europa, passando pelos clubes árabes e dos Estados Unidos, e até mesmo da América do Sul. Ele pode voltar para a Argentina, por exemplo, embora lá sempre é questionado quando veste a camisa da seleção, a 10 que já foi de Maradona, numa eterna comparação.

Messi só não aceita mais pressão. E se sente apurado em ter de tomar uma decisão em breve. O futebol inglês vai tentar contratá-lo. Pep Guardiola, do Manchester City, é um trunfo do time inglês para tê-lo na temporada 2021/22. Ambos foram “imbatíveis” juntos. Pep não voltaria ao passado, mas usaria Messi no futebol moderno que faz no City. Se isso acontecer, seria outro brasileiro a ter a honra de atuar ao lado do argentino, Gabriel Jesus.

RUMO AOS EUA, COMO FEZ PELÉ

Nem mesmo a vida mais fácil no futebol dos Estados Unidos está descartada para Messi. Sua mulher gosta da ideia. Seus filhos teriam uma outra cultura e idioma para aprender e ele seguiria o mesmo caminho de outro grande do futebol, Pelé, que em 1975 deixou o Santos para jogar no Cosmos. Ele tinha 34 anos. Messi fará 34 dia 24 de julho.

Por alguns meses, desde o “burofax”, Messi perdeu a concentração. Já não era mais aquele 10 decisivo em campo. Nunca deixou de tentar, mas era possível ver que tinha alguma coisa de errado com ele. Messi estava sem foco. A pressão era grande até ele mandar um recado para que parassem de cobrar uma decisão. Era será tomada na hora certa. Sair ou ficar. Nada mais do que isso.

Mais recentemente, ao lado da família, o meia recuperou sua forma e passou a ser novamente decisivo no Barcelona É nessa condição que ele enfrenta o PSG nas duas partidas das oitavas de final da Liga.

Enquanto sua decisão é não tomada, o mercado espera. Messi é peça-chave no tabuleiro das negociações dos grandes clubes do mundo. Quando ele se mover, todos os outros atletas e clubes em negociação farão o mesmo. Por exemplo, se Messi deixar mesmo o Barcelona, quem será o novo 10 do time catalão? Era para ser Antoine Griezmann, mas não é. Todos em La Masia já sabem disso.

Messi estava infeliz e aborrecido com o comando do Barcelona. Não queria mais ficar. Mas o tempo cobre feridas. E é com isso que conta o presidente que será eleito dia 7 de março. Messi e Josep Maria Bartomeu romperam. Uma nova janela vai se abrir após o dia 7. Em Barcelona, os seguidores do time esperam que ele passe por ela. O time melhorou. Koeman se mostra um treinador eficiente, sem apego, mas respeitoso com todos. Recentemente, ele disse que o futebol precisa “preservar jogadores como Neymar”, numa referência ao bom futebol do brasileiro.

O Barcelona do técnico holandês propôs esquecer o passado e focar no presente. A Koeman só interessa falar com Messi sobre as coisas do time. Nada mais. A ideia era tirá-lo da confusão e do dissabor que sentiu com a gestão que acaba em março. A limpa feita no Barcelona, no melhor estilo dos cartolas brasileiros, deixou o vestiário “nervoso” também. Havia muita bronca e insatisfação.

O clube vai precisar fazer dinheiro após a temporada. Muitos mais serão colocados à venda, independentemente da decisão de Messi. A BBC, fonte para esse texto, informa que o clube catalão estaria trabalhando para levantar 200 milhões de euros com venda de atletas. Isso daria mais de R$ 1 bilhão. E que a proximidade da Copa do Mundo do Catar, em 2022, seria usada para convencer Messi a permanecer, que sair seria um problema a mais na readaptação a um novo clube às vésperas do Mundial. Messi e a Argentina, todos sabem, têm uma relação mal resolvida. Falta um título mundial para esse grande jogador, o maior de todos na década passada.

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