A seleção brasileira começa a se impor de novo

Robson Morelli

22 de março de 2013 | 12h42

Tudo bem que Julio Cesar, além de tomar dois gols, um deles porque estava adiantado, fez pelo menos quatro defesas importantes e que Neymar ainda não mostrou a mesma categoria quando veste a camisa do Santos, mas é inegável que o Brasil começa a engrossar o caldo e a se impor um pouco mais diante de adversários de peso. O empate em 2 a 2 com a Itália foi um bom teste para o time de Felipão, diga-se, o segundo desde que ele assumiu a vaga de Mano Menezes.


A seleção chegou a abrir dois gols no primeiro tempo, de Fred e Oscar. Mas achou que o jogo estava ganho. Claro, um erro que vai servir de lição para os próximos confrontos. Já dizia o ditado popular: o jogo só acaba quando o juiz termina. Essa é a lição de Genebra. Há também de se ressaltar a pedreira histórica que sempre foi a Azzurra, sobretudo essa nas mãos de Cesare Prandelli. O time é muito bom, bem armado na defesa e no meio de campo e com Balotelli e Giaccherini infernizando seus marcadores. Esse Balotelli é marrento, mas joga muito e tem um condicionamento físico invejável. Aos novatos de Felipão, o recado deve ser dado: seleção brasileira é coisa séria e onde não se permitem escorregões. Quem não entrar em campo com essa pegada, dança.

Na defesa, apesar da boa descoberta que foi Dante, Felipão deverá apostar em Thiago Silva. O jogador do PSG deve ser parceiro de David Luiz na zaga brasileira. Daniel Alves se soltou mais pela direita depois que pintou os cabelos de loiro. Isso é bom. Lembrou contra a Itália aquele jogador do Barcelona. Só não fez mais porque não recebeu mais bolas. Tudo bem que se esperava o corte de Daniel no gol de De Rossi, mas isso não pode tirar seus méritos na partida.

A dupla Hernanes e Fernando também funcionou. Ambos tiveram muito trabalho na marcação, mas isso também se deve à qualidade dos italianos. Hernanes deve ser titular. Fernando pode ser a maior aposta do treinador para a Copa das Confederações. Oscar e Kaká deveriam atuar juntos. Esse foi o pecado. Felipão errou ao colocar o meia do Real Madrid no lugar de Oscar. Se fizesse isso, teria de abrir mão de um dos três atacantes. Hulk era o mais indicado a sair porque estava pior que Neymar e Fred. Jogar com dois meias pode ser uma alteração tática quando o técnico quiser um time mais encorpado no setor. Perderia um atacante, o que pode acontecer sem dano para o time. Kaká e Oscar chegam bem.

Fred é o cara. O atacante tem faro de gol e cada vez mais toma noção disso. Ele nasceu para empurrar a bola para dentro do gol, como fez uma porção de atacantes antes dele na seleção. Neymar, pela primeira vez, jogou mais solto, sem tanta pressão nos ombros. E isso o ajudou. Participou dos gols, sobretudo o de Oscar. Neymar tem de jogar na seleção sem o peso de ser genial a cada vez que pegar na bola. Felipão já falou isso para ele. E tem razão. O resto é entrosamento.

A propósito, Julio Cesar é o goleiro do Brasil. E fim de papo.

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