A semana é do Palmeiras e Corinthians e São Paulo farão falta na Libertadores

A semana é do Palmeiras e Corinthians e São Paulo farão falta na Libertadores

Ao São Paulo faltou frieza e talento de alguns jogadores, como Luis Fabiano. Ao Corinthians sobrou confiança, soberba e descontrole

Robson Morelli

14 de maio de 2015 | 11h03

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Tanto para quem torce a favor quanto para quem torce contra, Corinthians e São Paulo farão falta na Libertadores. É inegável também que a semana é do Palmeiras. O torcedor alviverde viu seu time fazer 5 a 1 no Sampaio Corrêa, pela Copa do Brasil, e deu risada dos fracassos dos rivais paulistas na competição sul-americana. No bairro de Perdizes, onde moro, houve festa após o gol do Guaraní, do Paraguai, contra o Corinthians, dentro do Itaquerão. Paixão de torcedor também conta a felicidade de ver os adversários caírem. Assim é o futebol no mundo.

Ocorre que Corinthians e São Paulo farão falta na Libertadores. Os dois times eram candidatos ao título, não há dúvidas, mas sucumbiram diante de seus rivais mais ‘fortes’. No caso do São Paulo, a pena é não ver o grande goleiro Rogério Ceni, de carreira bonita, encerrar seu ciclo com uma competição dessas. Seu contrato vai até agosto e ele agora poderá esticá-lo até o fim do Brasileirão, caso o São Paulo se veja na briga do título no segundo semestre. A lição que pode ser trazida de Minas, onde o time perdeu para o Cruzeiro, é a reavaliação de alguns jogadores. Refiro-me a Luis Fabiano, também mais perto do fim de sua carreira do que de continuar brilhando como jogador. Atacante experiente, de Copa do Mundo e de muitos gols, deveria ter mais cabeça e concentração para bater o pênalti.

É dos craques que a torcida espera mais. Lucão também errou, mas ainda é um menino em formação, que nada fez no futebol, diferentemente de Luis Fabiano. Souza precisa baixar a bola.  O choro no meio do gramado de Luis Fabiano tinha motivos. Ele vê a decadência de seu futebol. Não é mais o que sempre foi. E sua cabeça, que nunca foi boa, parece lhe puxar para baixo. O pênalti perdido no Mineirão tem poder de encerrar sua carreira no Morumbi. De resto, o São Paulo não foi mais uma vez nem sombra da fama dos seus jogadores, da soberba do clube e de seus dirigentes. Só espero que não culpem o interino Milton Cruz. Todos sabiam do risco da eliminação diante do time mineiro, com ele ou com qualquer outro treinador no comando. Ajustes precisam ser feitos, e isso passa necessariamente pela conduta dos jogadores. Falta carisma, liderança e personalidade nesse São Paulo.

No Itaquerão, a desgraça foi maior: ser eliminado com duas derrotas para o desconhecido Guaraní, do Paraguai, é fracasso demais para um time como o Corinthians. Da mesma forma, houve um desequilíbrio emocional de seus jogadores, como os expulsos Jadson e Fábio Santos. Exageraram na dose, na vontade de querer ganhar e de disputar a bola. Futebol é técnica, tática, habilidade. Não é guerra. Ninguém é mais homem dentro de campo. A conduta violenta, como escreve os juízes nas súmulas, não faz parte do jogo. O Corinthians quis intimidar o nanico de Assunção. Perdeu. Com duas expulsões, não havia o que fazer. Jogou mal.

Bonita foi a atitude da torcida, que apenas chorou a eliminação, sem quebrar nada. Fosse em outras épocas, o estádio viria abaixo, os torcedores teriam invadido o campo, tentado agredir jogadores. Nesse quesito, melhoramos. 40 mil corintianos foram para casa apenas lamentando a derrota e a eliminação. No caminho de casa nesta quinta até a redação do Estadão, já ouvi que a soberba de Tite caiu por terra. Muitos creditam a ele o fracasso, dizendo que estava ‘se achando’ em sua volta ao Corinthians, que havia ‘perdido a humildade’ no seu trabalho. Ora, pode até ser, mas foram os jogadores que perderam, e perderam em Assunção, com a derrota de 2 a 0. O resto é do jogo.

Por fim, ninguém tira da minha cabeça que os atrasos nos salários mexeram com o elenco e fizeram alguns jogadores perderem a concentração. Tomara esteja errado, mas jogador só funciona com o salário na conta.

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