A surra para o Santos foi a gota d’água.

Robson Morelli

19 de abril de 2010 | 12h20

As palavras de Washington foram duras ao técnico Ricardo Gomes: “O QUE O TIME TINHA DE BOM, ELES TIRARAM. QUANDO COMEÇO JOGANDO, SAIO CEDO. QUANDO FICO NO BANCO, ENTRO TARDE. ESTOU CANSADO DE SER CRUCIFICADO POR ERROS DOS OUTROS”. As declarações, embora referindo-se a ELES, tinha endereço certo: o treinador. E o atacante só veio a público porque não encontra espaço para reclamar dentro do Morumbi ou do CT da Barra Funda. Confesso que tirar um atacante quando o time precisa fazer dois gols não me parece lógico. Mas hoje é fácil comentar depois de saber que o São Paulo perdeu por 3 a 0 na Vila.
Ocorre que o racha entre Washington e Ricardo Gomes expõe a fragilidade da equipe às vésperas de decidir seu futuro na Libertadores. Não acho que o Tricolor perca para o Once Caldas em casa, mas o que o atacante disse na Vila vai ecoar no clube até que uma decisão mais drástica seja tomada. Nos bastidores do Morumbi, o que se diz é que os jogadores estão revoltados com as trocas constantes de atletas e esquemas táticos de Ricardo Gomes, um treinador forjado na França onde, como na Europa toda, é mais comum se valer de todos do elenco durante o mês. O problema daqui é que não estamos preparados para revezamentos. O time tem de ser aquele que o torcedor sabe escalar na ponta da língua. E quem sobra, claro, toca a trombeta. É hora de a diretoria entrar em cena e cortar o mal pela raiz, abafar o caso como sempre faz. Washington seria titular em qualquer outro time. Ele engrossa muitas vezes na cara do goleiro, é verdade, mas sabe fazer gols também. E vou ser sempre contrário à troca de treinador antes do fim da temporada, mesmo com todas as cobranças do torcedor, impaciente na maioria das vezes com sua equipe. E a eliminação para o Santos é o de menos nesse cenário todo.

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