A torcida do Palmeiras está com Valdivia para o que der e vier

O meia tem o carinho do torcedor mesmo jogando poucas vezes

Robson Morelli

04 de abril de 2015 | 21h46

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Quando soube que Valdivia poderia estrear neste Sábado de Aleluia, depois de três meses cheios inativos, pensei que pudesse presenciar in loco a primeira partida do jogador chileno no Palmeiras. Oswaldo de Oliveira, como se esperava dele, deixou o meia no banco de reservas. Minha missão no Allianz Parque era ver o comportamento da torcida frente ao seu maior ídolo, mas que ainda não tinha vestido a camisa do time na temporada em jogos oficiais. O camisa 10 entrou aos 19 minutos do segundo tempo no lugar de Cristaldo, que já tinha tirado o torcedor do sério. Ouvi atentamente e tentei ver até onde as vistas alcançavam a reação da torcida diante do Mago, pela primeira vez no estádio, no banco de reservas.

Um torcedor próximo a mim, que estava no setor sul do estádio, com ingresso comprado na bilheteria e tudo mais, reparou que no primeiro tempo Valdivia estava sem chuteiras amarradas, mas tinha voltado do intervalo pronto para entrar. O cara não tinha paciência com nenhum jogador, sempre cobrando mais e mais dos 11 de Oswaldo de Oliveira em campo. Com Valdivia foi diferente, além de pedir sua entrada, repetiu algumas vezes que o chileno era especial. De forma geral, todos queriam Valdivia em campo. Alguns alternaram em pedi-lo e também em pedir o garoto Gabriel Jesus. Ouvi os que estavam ao meu redor, os que desceram as escadas no intervalo e final do jogo, os que pararam nas barraquinhas do lado de fora para matar a fome. De modo geral, e cada um a seu estilo, todos querem Valdivia no Palmeiras.

A conclusão que tiro desse momento é que o torcedor palmeirense tem muito carinho por Valdivia e quer sim vê-lo em campo. Também é de entendimento do torcedor a falta de envolvimento do chileno. Muitos chegaram a falar que Valdivia era mesmo um ‘chinelinho’, o que se fala de jogador que mais fica no departamento médico do que no campo. Cobravam do craque sua presença nas partidas e treinos. Cobraram também mais profissionalismo, entendendo que ele poderia se cuidar mais para se machucar menos. Então, nesses 90 minutos, percebi que o torcedor palmeirense não é bobo nem nada e sabe de quem cobra. Todo esse entendimento se rende quando Valdivia toca na bola. “Ele é diferente”, dizia o rapaz três fileiras para cima de onde eu estava. O torcedor até sabe que o custo-benefício do jogador não vale, mas não liga para isso quando Valdivia pega na bola. Nesse momento, ele vale cada centavo do seu contrato e salário.

No fim, uma frase resumiu o que tentei perceber diante do Mogi Mirim, com vitória por 3 a 1 do Palmeiras: ‘Ele voltou!’