A triste sina de quem não ganha no futebol: a degola

Robson Morelli

14 de setembro de 2012 | 12h12

O Palmeiras resolveu nesta quinta-feira seu problema com a zona de rebaixamento, com a preguiça de alguns jogadores, com a falta de apoio de parte da torcida e com a fragilidade do elenco: demitiu Felipão. Simples assim. Contra o Corinthians, domingo, vai ser outro Palmeiras, e o rival do Parque São Jorge que se cuide, porque poderá pagar o pato. Nem político em campanha e capaz de direcionar tantos problemas para uma única causa.

É claro que Felipão não era o problema do Palmeiras. Sem ele, o clube tende a se apequenar ainda mais. Mas essa foi a decisão do presidente, amigo de Felipão, certamente pressionado por seus pares e outras forças dentro do clube. Pouca gente se lembra, por exemplo, que o Estadão deu reportagem, não desmentida pelo técnico, de que havia corpo-mole no elenco. Depois disso, a Palmeiras nunca mais foi o mesmo e algumas panelinhas trataram de jogar o comandante para o fogo.

A fumaça vinda da Academia de futebol desde a manha desta quinta indicava que o Palmeiras ficaria mesmo sem capo. E tentaria encontrar, num típico fim de feira, um substituto no mercado. Fim de feira não porque a competição esteja ruim, mas porque faltam menos de quatro meses para o seu término e todos sabem que não é hora de procurar treinador. Os bons estão empregados ou com outros projetos. Leão, por exemplo, já disse que não deixará o São Caetano. Ele era nome cotado. Mas daqui a pouco aparece um para ganhar R$ 200 mil.

Mostra de que o Palmeiras se apequena com a decisão é o fato de o time ser comandado por Narciso, ex-Santos, no clássico de domingo com o Corinthians. Nada contra Narciso, claro. Ocorre que o Palmeiras terá um técnico juvenil para um jogo senior. É o fundo do poço.

O presidente Tirone foi levado por seu desespero a tomar a decisão de demitir Felipão, claro, diante da incapacidade de o treinador fazer a equipe reagir. Todos sabem que decisões importantes não podem ser tomadas quando se está no meio do furacão. Mas o futebol não leva nada disso em consideração. Parece uma entidade além de tudo. Não há regras certas ou erradas e o que serve para João pode não servir para José. O Palmeiras está sim pior agora do que amanheceu quinta. Não vejo técnico mais capaz do que Felipão para levantar o moral do time. E se qualquer um depois dele conseguir a façanha, ganhando a confiança do elenco e boa dose de transpiração em campo, aí sim vai ficar na cara que o problema era mesmo outro.  A propósito, enquete feita pelo Portal do Estadão neste quinta, com a participação de 704 pessoas até as 18h30, dava que 63% dos torcedores não queriam que o treinador deixasse o Palmeiras.

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