Abel é a parte mais ‘desequilibrada’ do Palmeiras, com suas reclamações intempestivas com a arbitragem

Treinador já se vê perseguido pelos árbitros e agora começa a ser contestado pelos colegas de profissão, como Jorginho, do Atlético-GO

Robson Morelli

17 de junho de 2022 | 10h57

Se há um setor ainda em desequilíbrio no Palmeiras, é na comissão técnica, com técnico Abel Ferreira. O treinador dá brechas para ficar marcado no futebol brasileiro como um “reclamão”, e agora um “desrespeitoso”, como disse o técnico Jorginho após a partida do Palmeiras com o Atlético-GO.

Não vou entrar no mérito das palavras pesadas do ex-lateral e auxiliar de Dunga na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, mas é inegável que o treinador português não consegue se controlar à beira do gramado, diante do que ele entende ser injustiças com ele próprio e seu time por parte da arbitragem. Abel Ferreira se torna um técnico “chato”, no sentido de não deixar que os árbitros trabalhem sem ser incomodados com suas reclamações, ora pertinentes, ora exageradas.

Foto: Palmeiras
Abel Ferreira prometeu publicamente melhorar nesse sentido e não conseguiu. Além de correr riscos de prejudicar o Palmeiras com possíveis ausências à beira do campo, como já aconteceu em nove ocasiões desde novembro de 2020, quando chegou ao clube, ele começa a ficar marcado (negativamente) no futebol brasileiro. Ele mesmo já percebeu isso. Em uma de suas entrevistas, disse com todas as letras que “é perseguido pela arbitragem”. O fato de perceber isso, como também percebo, não muda o cenário. Mas serve de alerta para ele mesmo.

O problema não é a arbitragem (ou é também), é ele. Abel fala demais o tempo todo denunciando suas “injustiças” durante os 90 minutos. Dá para entender, afinal, o futebol nacional sofre não é de hoje com seus árbitros de campo e VAR. Ocorre que o treinador do Palmeiras passa do ponto no entendimento de muitos e, principalmente, dos homens do apito e seus superiores. Isso marca. Todos os árbitros já entram em campo de olho nele. Apitam as partidas do time e tentam controlar os gestos revoltados do seu treinador. Dele e dos pares da comissão técnica. Já perceberam até o “rodízio” que há para xingá-los.

O conceito é o mesmo do jogador botinudo, aquele que recebe uma advertência verbal do juiz logo que pisa no gramado. Esses atletas são marcados, assim como são os treinadores reclamões. Como disse, nem entro no mérito de Abel Ferreira ter razão em suas esperneadas, como, aliás, muitos outros treinadores também fazem. O problema nesse momento é que Abel é o único visado. O que agrava sua situação é ele começar a ouvir colegas, como Jorginho, também reclamarem de seu comportamento. O próximo passo serão os atletas rivais.

“Não é à toa que não só ele, mas toda a comissão técnica vem sendo expulsa constantemente, porque falta esse tipo de respeito. Você bater palma para o árbitro é sacanear o cara. É uma coisa que me revolta como treinador, como brasileiro, ele vir no nosso país e estar desrespeitando nosso país, desrespeitando nossos árbitros, dizendo que (o árbitro Roman Abatti) é cego, xingando de tudo quanto é nome e nada acontece”, disse o treinador do Atlético-GO.

Abel precisa rever esse comportamento. Ele é a única parte “desequilibrada” do Palmeiras até agora na temporada. Isso só o prejudica. O time faz boa campanha nas três competições que disputa: lidera o Brasileirão, com 25 pontos, três a mais do que o vice Corinthians; e está nas etapas de mata-mata da Copa do Brasil e da Libertadores.

Que fique claro que seu jeito intempestivo à beira do gramado nada tem a ver com o trabalho que faz no comando da equipe. Abel Ferreira tem os jogadores nas mãos, o clube a seus pés, vive tempos de calmaria com a torcida e sabe o que seu time pode render. Chegou ao Brasil sem nada e, quando deixar o País, sairá com muitas conquistas, mais maduro e fortalecido como pessoa e profissional. Também deixará um legado. O próprio Felipão já disse que ele é o melhor treinador que o Palmeiras teve em sua história. Em breve, a Europa vem buscá-lo de volta. Ou mesmo algumas seleções.

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