Abrir mão de Ganso é virar as costas para o futebol brasileiro

O meia e o São Paulo não deram liga, mas mandá-lo para os Estados Unidos é demais. Precisamos dele por aqui

Robson Morelli

22 de julho de 2015 | 11h40

Seria demais a diretoria do São Paulo punir Luis Fabiano e Ganso com multa em seus salários. Multas pela expulsão na partida do domingo contra o Sport. Um time que não paga em dia não pode cobrar nada de seus jogadores, muito menos em dinheiro. E como pedir para que o elenco tenha os pés no chão e cabeça no lugar nessas condições? Temporada que começa torta acaba torta. O São Paulo precisa abrir o olho e tentar acertar seus problemas, aparar as arestas até a virada do turno, de modo a limpar a área antes do fim da temporada. Corre risco, não de rebaixamento, mas de se apequenar e ver seus jogadores pularem fora. O Palmeiras viveu isso no passado não muito longe, quando poucos atletas queriam vestir a camisa do clube.

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Não se empurra a sujeira para debaixo do tapete sem pagar seu preço. É mais honroso limpar tudo e recomeçar modestamente do que ir levando com a barriga. E o São Paulo leva com a barriga sua crise há meses. A má gestão parece escancarada no Morumbi, com desencontros da diretoria e comissão técnica e, consequentemente, do elenco. Ninguém se entende. As expulsões de Ganso e Luis Fabiano são dois pontos desse desequilíbrio.

Ganso sofre pressão de todos os lados para jogar bem. Não consegue. Embora defenda que parte desse mau futebol se deva à falta de um comando competente, um parceiro capaz de puxá-lo para o jogo ou até mesmo um posicionamento melhor em campo, concordo com os críticos que dizem, e são muitos, que ele e o São Paulo não deram liga, aquele fenômeno inexplicável no futebol que ocorre quando um jogador cai como uma luva no time, feitos um para o outro. Ganso não foi feito para jogar no São Paulo, contrariando todas as previsões e apostas em sua chegada. Então, o melhor a fazer é vendê-lo, mas não para o Orlando City, onde ele vai sumir. Aí, estou com a diretoria do clube. O futebol dos EUA é para Kaká, que já ganhou tudo e contribuiu bem com o futebol nacional. Ganso ainda não fez isso. Deve. E o Brasil precisa dele.

Seu caminho deveria ser outro time do País. Ganso precisa recomeçar e provar que não é um fracassado, como já se aventa por aí. Está longe disso, diga-se. O meia precisa voltar a ser competitivo. Precisa de ajuda para isso. Abandoná-lo seria virar as costas para o futebol brasileiro, carente de bons jogadores. Então, não podemos abrir mão de Ganso.

Mas podemos abrir não de Luis Fabiano. A condição desses dois jogadores é diferente. Luis Fabiano tem história no São Paulo e na seleção. Se amanhã quiser jogar no México, que vá. Está mais próximo do fim do que do começo de sua carreira. Teve todas as chances que o futebol poderia lhe dar. Se não aproveitou ou se não aprendeu nada com elas, paciência. Assim como o São Paulo não o quer mais, certamente ele não morre de amores pelo principal clube de sua carreira. Mas pode sair com o sentimento de dever cumprido, diferentemente de Ganso.

Em meio a essas duas situações, está uma diretoria que parece sem rumo nesse momento.

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