Ainda há jogadores na bolha ou em seus mundinhos como se nada tivesse acontecendo

Ainda há jogadores na bolha ou em seus mundinhos como se nada tivesse acontecendo

A boa notícia é que a maioria está respeitando o isolamento e ajudando em campanhas solidárias; eles precisam entender que defendem as cores de um clube e tudo o que fazem, de certo ou não, respinga na associação esportiva

Robson Morelli

02 de junho de 2020 | 13h30

Recentemente, recebi uma denúncia por e-mail contra Gabriel Jesus, atacante do Manchester City, de que ele estaria dando festas em seu apartamento em São Paulo. A acusação partiu de um vizinho do mesmo prédio. Não deu tempo de confirmar a história no local porque o jogador teve de fazer as malas e voltar para a Inglaterra, onde joga. O denunciante relatou dias depois que o silêncio voltou ao prédio e preferiu não aparecer. Não conseguimos falar com Gabriel. O noticiário informa nesta terça-feira que Cazares, do Atlético-MG, contaminado com a covid-19, deu uma festa em seu apartamento em maio. Quem denunciou foram os moradores do prédio onde ele mora. Provavelmente, Cazares será multado.

Ocorre que dinheiro para esses jogadores de primeira linha e de clubes grandes não vale o mesmo para o trabalhador comum, que ganha bem menos por mês. Então, Cazares vai pagar a multa e sair rindo.

A história, no entanto, traz à tona a figura do jogador de futebol mergulhado em seu mundinho, dentro de uma bolha como se nada tivesse acontecendo. Há aqueles com pouco bom-senso e inteligência para fazer a leitura do cenário e se inserir nele, de forma menos alienada. Pode até ser que haja muitos nessa condição, mas há muitos também fora dela. O jogador é admirado pelo que faz em campo, pelo talento que tem, e por isso se esperava mais dele em situações da vida, como um exemplo ou voz de liderança. Mas eles só descobrem isso quando param de jogar e amadurecem. A idade baixa e as facilidades da vida o colocam, na visão deles próprios, em uma plataforma diferente das pessoas comuns.

Mas isso não é verdade. Não deveria ser assim, Jogadores como Cazares precisam aprender a viver e conviver em grupo, em sociedade e não somente ao lado de seus próximos, da patota que sempre diz “sim”. Claro que não se pode pinçar casos isolados para condenar toda uma classe de profissionais. Vejo muitos atletas na ativa responsáveis e engajados em ajudar e passar algum recado. Vamos ficar com esses.

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