Alexandre Pato tem todos os defeitos de um bom jogador, mas pode ajudar o São Paulo

O nível técnico do atacante é superior à maioria dos jogadores do nosso atual futebol, mas ele carrega em seus contratos muita desconfiança

Robson Morelli

19 de março de 2019 | 14h59

Sim, um acerto com Alexandre Pato serve para tirar o time do foco negativo que toma conta do São Paulo, das partidas ruins e da má fase de sua diretoria. A maioria dos clubes se vale deste expediente quando o futebol anda torto, exatamente como se encontra o São Paulo no momento. Tudo isso está em jogo no contrato colocado na frente do jogador e da insistente tentativa de a diretoria convencer o técnico Cuca da importância de Pato para o time. Não há ingênuo no futebol. O presidente Leco tem enfrentado a oposição do Morumbi como nunca antes, mesmo diante daqueles que aceitaram alguns agradados recentemente. Pato daria uma sobrevida à cartolagem.

A possível contratação de Alexandre Pato traz muito mais ao São Paulo. Pato, por exemplo, é bom jogador, de nível técnico altíssimo e bem melhor do que a maioria dos atletas em atividade no futebol brasileiro. Na China, com a camisa 10, ele fez gols bonitos e de oportunismo. Estava jogando e, portanto, deve estar bem preparado fisicamente. Chega para vestir a camisa e atuar.

Há, porém, dois problemas. O primeiro é saber quanto dinheiro paga Pato. Ele ganhava quase R$ 3 milhões por mês na China. Esse valor está totalmente fora de cogitação. Algo perto de R$ 1 milhão também. A realidade do São Paulo é algo perto dos R$ 500 mil por mês. O valor pode aumentar com o pagamento de luvas contratuais diluídas nos vencimentos. Pato viria de graça, mas poderia cobrar pelo contrato. É assim que funciona. Tem ainda “aquele algo mais” para os agentes do jogador. Então, essa equação terá de ser muito bem trabalhada pelo clube.

O outro problema que chega com Pato é o fato de ele carregar muita desconfiança sempre que esteve no Brasil. Pato não é de esquentar lugar por muito tempo, adora esse vai-e-vem da carreira, ora aqui, ora ali. Parece não pertencer a lugar algum e a todos os lugares. A impressão que passa é nunca estar com cabeça e corpo no mesmo lugar. Pato amadureceu, está mais velho, tem mais dinheiro e talvez seja mais responsável. Talvez. Ele é importante para o São Paulo hoje, mas o São Paulo também é importante para ele nesse momento. A primeira passagem de Pato pelo Morumbi foi boa.

Se todas essas equações forem resolvidas, pode ser que dê certo.

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