Algumas decepções e constatações nesta semana de decisão da Copa América

Descobrimos que a seleção brasileira respira sem Neymar e lamentações que o Rio tenha comprado votos para os Jogos de 2016

Robson Morelli

05 de julho de 2019 | 12h39

Pagando por votos... O noticiário esportivo desta semana, que chega ao fim com a decisão da Copa América no domingo, nos mostrou algumas certezas, vitórias e decepções também. Talvez a maior delas tenha sido a confissão do então governador do Rio, Sérgio Cabral, de que ele e toda a cúpula envolvida com os Jogos do Rio pagaram para fazer da cidade brasileira a sede da Olimpíada. US$ 2 milhões por 9 votos. Ele fez a ação.

 

Vergonha sem tamanho… Para nós, brasileiros, sobra uma vergonha sem tamanho. Fomos todos enganados e induzidos a pensar que o Brasil, e o Rio, ganhou a briga com outras cidades porque tinha reais condições de sediar um evento como é a Olimpíada. Roubamos e isso não tem nada do espírito olímpico.

Sem Neymar… A certeza da semana diz respeito à volta da seleção a uma final de competição sem a presença de Neymar. Ou seja, o Brasil caminhou nesta Copa América desfalcado de seu principal e único craque. Neymar foi cortado por lesão, se viu envolvido em acusação de estupro e acompanhou de longe seus amigos do elenco conquistarem uma façanha sem ele. A lição que fica é que mesmo desfalcada de seu melhor jogador, a seleção tem condições de andar com suas próprias pernas. Pelo menos na América do Sul. É claro que o time se fortalece com Neymar em campo, mas o torcedor descobriu que há vida em ele.

Futuro… Para o futuro, ficam duas expectativas. Uma delas diz respeito ao futuro do futebol feminino. O brasileiro continuou vendo as disputas da Copa do Mundo após a eliminação da seleção de Marta diante da França. Então, não há dúvidas que há espaço para a modalidade crescer desde que os torneios existam e sejam bem organizados.

Tite… Há ainda o futuro da seleção masculina, com Tite ou sem Tite. Há muitas conversas sobre a permanência de Tite no cargo. Seus pares estão indo embora e entendo que isso vai enfraquecer a comitiva que se comprometeu a tocar o Brasil até a Copa do Mundo do Catar. Tite pode deixar o comando ou bater no peito e continuar. Sobre os jogadores, é preciso deixar de testar e trabalhar com atletas que poderão servir o Brasil em 2022. O Brasil tem de jogar mais do que vem jogando. Tem de ser mais competitivo e não depender de uma ou outra atuação legal.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: