Aliados de Caboclo reclamam de caça às bruxas dentro da CBF, com demissões seguidas desde o seu afastamento

Presidente é acusado de assédio sexual e moral feito por uma funcionária; ele responde ao Comitê de Ética desde 6 de junho

Robson Morelli

16 de julho de 2021 | 15h00

Com o presidente eleito da CBF afastado, há em marcha no prédio da CBF uma caça às bruxas aos aliados de Rogério Caboclo, acusado de assédio sexual e moral por uma funcionária da entidade. Ele foi tirado do cargo por 30 dias inicialmente e depois teve seu afastamento esticado em mais 60 dias. Ele responde ao Comitê de Ética da própria CBF. Caboclo deixou o posto no dia 6 de junho, no começo da Copa América e durante embate com os jogadores da seleção e sua comissão técnica.

Foto: Wilton Jr/Estadão

Nesta semana, a CBF encerrou o contrato do gerente da diretoria de competições Thiago Jannuzzi. Segundo fontes ligadas ao presidente afastado, a demissão só ocorreu porque Jannuzzi era identificado com a gestão de Caboclo. Há muita tensão na casa do futebol. A desconfiança é de que o ex-presidente banido por corrupção, Marco Polo del Nero, esteja ligado nessa ‘limpa dos seguidores’ de Caboclo, numa disputa de quem assume o comando da entidade. Del Nero trabalharia nos bastidores há anos. Ele foi padrinho político de Caboclo. Os campeonatos de futebol organizados pela CBF continuam sendo disputados sem sobressaltos, como Brasileirão, Série B e Copa do Brasil, por exemplo.

Jannuzzi foi colocado no cargo por Caboclo. Outro demitido, esse há algumas semanas, foi o diretor de RH Marco Dalpozzo, executivo com passagens pela Loreal e Vale do Rio Doce. Ele teria ido para a CBF a convite de Caboclo também, num projeto que pretendia modernizar a confederação, com práticas de gestão das empresas do Brasil. O chefe da segurança Gerson Muget também foi desligado nesse período. O comando da CBF não se manifestou sobre os casos. A defesa de Caboclo tem dito que o afastamento dele é ilegal porque não tem previsão no Código de Ética, estatuto da CBF, nas Leis e na Constituição Federal.

O fato é que poucos na entidade e nas federações regionais acreditam que Rogério Caboclo volte ao comando da CBF. Uma nova eleição deve ser chamada antes do fim desta temporada. Quem está no comando é o vice-presidente Antônio Nunes.

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