Amigos me dizem que o torcedor não ficará à vontade nos estádios quando o coronavírus for vencido

O distanciamento entre as pessoas continuará se dando mesmo depois que todos nós colocarmos os pés para fora e a aglomeração no futebol pode não ser mais a mesma por muito tempo

Robson Morelli

10 de abril de 2020 | 13h15

Por saber que trabalho com esporte, amigos me dizem que a vida nos estádios nunca mais será a mesma, ou pelo menos que ela vai demorar para ser retomada do jeito que era antes da pandemia do novo coronavírus, com abraços, cumprimentos e todos juntos com a mesma bandeira. Era assim que o torcedor festejava as partidas dos seu time e, mais ainda, as vitórias, os gols, até mesmo as frustrações com um chorando no ombro no outro. O futebol sempre foi assim. Antigamente, os estádios recebiam 80 mil, 100 mil, 120 mil pessoas nos clássicos ou decisões. Era um grudadinho no outro, felizes por terem conseguido entrar. Esse número baixou com as novas arenas e maior segurança, mas ainda um esbarrava no outro o tempo todo e ninguém estava nem aí. Abraçávamos gente que nunca tínhamos visto antes.

FOTO ALEX SILVA / ESTADÃO

Talvez não seja mais assim. Talvez esse isolamento necessário continue a valer depois que 70% dos brasileiros forem infectados e boa parte da população desenvolver anticorpos à covid-19. Isso afetaria o futebol. As pessoas vão levar tempo para baixar a guarda, cumprimentar umas às outras, voltar para os estádios como se não tivesse amanhã.

Tem sentido achar que essa volta se dará gradativamente por mais faminto que estejamos para o futebol. Não sei se todos vão encarar as aglomerações de imediato. Haverá precaução. As autoridades de saúde continuarão a ser importantes para orientar a todos. Haverão muita desconfiança, receio e até medo como todos estão tendo agora.

Pesquisa feita nos EUA com torcedores de basquete e futebol americano aponta que o torcedor vai demorar para retomar sua vida como ela era antes. Os entrevistados tinham no esporte uma parte importante de suas rotinas. Ou seja, adoravam ver jogos ao vivo, dentro de arenas e ginásios. A amostra é pequena, com cerca de 800 pessoas, mas ela indica um tendência real para os próximos meses, quando o mundo retomar seu caminho e o esporte reabrir suas portas.

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