Andrés Sanchez começa nesta segunda seu novo projeto: ser presidente da CBF

Robson Morelli

26 de novembro de 2012 | 12h00

Uma entrevista nesta segunda-feira, no Rio, tira Andrés Sanchez do comando das seleções da CBF. O próprio dirigente vai anunciar sua saída do cargo que ganhou do amigo Ricardo Teixeira, ex-presidente da entidade máxima do futebol brasileiro. Andrés deixa o cargo para começar sua campanha à eleição. Quer ser presidente da CBF. Sua decisão, em princípio, teve muito a ver também com a degola do técnico Mano Menezes na sexta-feira. “Fui voto vencido”, disse o cartola sobre a demissão do treinador da seleção brasileira.

Andrés pode ter todos os defeitos do mundo, mas não é bobo a ponto de continuar num cargo decorativo, em que sua opinião tenha pouco peso. E é assim que se encontra. Presidente do Corinthians, Andres assumiu um clube na lama e no noticiário policial. Em dois anos, mudou esse cenário e foi o líder de uma revolução que fez do Corinthians um dos times mais vencedores e prestigiados do futebol brasileiro. É claro que a ajuda do presidente Lula, com seu carisma em todos os setores das sociedade, fez muita diferença nessa retomada. Nenhum dos dois queria ver o Corinthians no fundo do poço. Andrés também liderou a queda do Clube dos 13, comandada por Fábio Koff, hoje presidente do Grêmio. De modo que ganhou a simpatia da maioria dos presidentes de times rivais, consequentemente,  das confederações estaduais. Também esteve, nessa empreitada, de braços dados com a Globo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Todos os favores podem ser ‘pagos’ agora.

Portanto, Andrés sabe muito bem em qual terreno está pisando. Foi forte na CBF enquanto esteve de braços dados com Ricardo Teixeira. Perdeu poderes agora na gestão de José Maria Martin, que decidiu ‘renovar’ todo o trabalho das seleções do Brasil. E nessa reformulação não há mais espaço para Andrés, pelo menos não com algum peso no cargo. Ele sabe disso. Andrés poderia até continuar como dirigente da CBF caso aceitasse um cargo decorativo. Mas esse não é o perfil do ex-presidente do Corinthians.

Ele é o último moicano da tribo de Ricardo Teixeira.

Marin esperou o fim da temporada, com o jogo do Brasil com a Argentina, para colocar em marcha suas decisões. E olha que a seleção foi campeã do Superclássico. De modo, que ele não se valeu de uma crise para demitir o treinador e fazer a limpa. Já era uma decisão tomada lá atrás, e como Andres admitiu, sem o seu aval. Politicamente para Marin não é interessante a saída de Andrés, mas ele não tem muito a oferecer ao dirigente. O presidente da FPF, Marco Polo del Nero, tem hoje mais poderes sobre o time do Brasil que o próprio dirigente de seleções. Somente uma reviravolta seria capaz de mudar a intenção de Andrés de deixar o cargo. E nesse momento, o próprio cartola não vê motivos para ficar.

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