Antonio Carlos discute com torcedor no Allianz no empate com o Atlético-MG

Antonio Carlos discute com torcedor no Allianz no empate com o Atlético-MG

Jogador não tem nada que bater-boca com torcida, tem de jogar e ouvir aplausos ou queixas. Mas polícia também não pode tirar o "reclamão" do estádio por causa disso

Robson Morelli

07 de outubro de 2019 | 07h57

Que ridículo… Umas das cenas mais ridículas do empate do Palmeiras com o Atlético-MG no Allianz Parque, domingo, foi protagonizada entre o zagueiro Antonio Carlos, do time da casa, e um torcedor inconformado com o rendimento da equipe e da pouca possibilidade de o Palmeiras ganhar o jogo. Os dois palmeirenses bateram boca, um da numerada atrás do banco de reservas. O outro sentado no banco de reservas.

O palanque do torcedor é o estádio… Ora. Jogador não tem de discutir com torcedor no estádio. Lá é o lugar de ele reclamar do time, extravasar seus sentimentos com a equipe, seja ela qual for, aplaudir, chorar, se morder de raiva com jogadas ruins e gols desperdiçados. O estádio é o palanque do torcedor. Ele tem esse direito de se manifestar.

Exemplo (errado) do chefe… Outro dia, Mano Menezes também se voltou para torcedores para debater provocações. Neste caso, no entanto, era torcedor do time rival. Não aguentou as investidas e provocações e retrucou. Na boa, mas retrucou.

Árbitro ladrão… Na discussão do Allianz era Palmeiras contra Palmeiras. Ora, o atleta deve ser preparado para ouvir o que não quer, assim como os árbitros de futebol, que desde sempre são tratados como “ladrões” e não são. Suas mães são sempre ofendidas. Imagina se todo árbitro fosse brigar e discutir com o estádio inteiro, ou metade dele, quando é xingado.

Os que vaiam são os mesmos que aplaudem… Uma arena de futebol é lugar de se manifestar. Tirando os palavrões gritados ao lado de crianças e mulheres (sou um cara da antiga e ainda respeito isso), qualquer manifestação no futebol é válida. Uma vaia. Um grito de insatisfação. Muitas reclamações. Tudo isso faz parte de uma partida de futebol. Dudu, atacante do Palmeiras e autor do gol de empate diante do Atlético-MG, sempre diz que os mesmos que vaiam, aplaudem. É isso mesmo. Ele está certo. Alguém no banco deveria orientar Antônio Carlos para ficar sentadinho no seu lugar e não discutir com o torcedor.

A PM não pode prender o manifestante… Assim, como condeno o fato de a Polícia tirar o manifestante do seu lugar porque ele estava criticando o time ou um jogador em especial. Isso não existe. Desde que ele não brigue fisicamente, não atire objetos para dentro do campo ou ultrapasse seus direitos em detrimento dos direitos dos outros ao seu redor, a PM não tem de intervir, mesmo se alguém do clube pedir. Ela, a PM, não está lá para trabalhar para o time mandante. Ela está lá representando o governo do Estado de São Paulo. E quando não há crime, basta uma conversa para acalmar os ânimos. Domingo, imagens de TV mostraram a PM retirando um torcedor do estádio.

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