Apesar de tudo, futebol brasileiro cumpre sua missão em meio à pandemia da covid-19

Houve altos e baixos, erros e acertos, mas o esporte, de certa forma, ofereceu um alento durante temporada de tanta tristeza; clubes de São Paulo na berlinda em 2021

Robson Morelli

22 de fevereiro de 2021 | 09h10

A temporada 2020 chega à última rodada sem conhecer seu campeão brasileiro depois de o Flamengo ganhar do Inter na 37.ª jornada e assumir pela primeira vez a liderança da disputa, podendo ele agora ficar com o título se bater o São Paulo no Morumbi na quinta-feira. Os estaduais foram definidos há meses e a Libertadores ficou nas mãos do Palmeiras. Há ainda a expectativa de saber quem levará a Copa do Brasil, numa decisão entre Grêmio e Palmeiras, cujo segundo jogo será após a primeira rodada do Paulistão 2021. Ao Inter, para ser campeão nacional, resta ganhar do Corinthians e torcer ao menos por empate do Flamengo.

Já comentou em minha coluna sobre o árbitro Raphael Claus na partida no Maracanã, portanto, não vou entrar aqui nesse mérito.

Foto: Estadão

Foi uma temporada de desafios para o futebol, e de muitos riscos por causa da pandemia. Ainda não se sabe se ela deveria ter acontecido como aconteceu. Muitos atletas pegaram o vírus e tiveram de desfalcar seus respectivos times. Houve protocolos sanitários, milhares de testes RT-PCR contra a covid-19 e atropelos também. A CBF informou em novembro que 47.450 exames foram realizados em 1.161 jogos das Séries A, B, C e D, com taxa de positividade de 1,7%.

Houve erros. Houve acertos. Mas não faltou futebol na mesa do brasileiro. Em alguns momentos, as competições deveriam ter parado por causa do avanço da doença. O torcedor foi um espectador distante. Viu tudo de casa. O VAR mais acertou do que errou, mas quando falhou, foi de doer. A arbitragem fracassa no uso da tecnologia e perde a chance de melhorar os árbitros de campo. Ficou no meio do caminho entre um e outro. Precisa ser revista urgentemente.

Vamos combinar, foi um ano desafiador e de muito medo também. Colocar o futebol de pé já foi uma vitória. Com tantas mortes no País por causa da pandemia (246 mil óbitos), esse pingo de alegria com o esporte mais popular do planeta aliviou corações, ao menos por 90 minutos. Seria justo agradecer a todos os atletas e profissionais que fizeram o futebol acontecer e chegar ao seu destino.

Nem bem acaba 2020 e já começa 2021. As temporadas esportivas se misturaram entre os dois anos. Se tudo der certo agora, conforme o planejado, o futebol 2021 vai acabar dentro do seu próprio ano. São as coisas voltando ao normal com a vacinação no Brasil, lenta, mas em andamento.

TIMES DE SÃO PAULO
Aos times de São Paulo, uma edição de aprendizado, com esperança renovada principalmente para Corinthians e São Paulo. O Santos deve ter um 2021 de pouco dinheiro, muitos problemas financeiros e futebol mais pobre. O Palmeiras foi o único a ganhar títulos entre seus adversários paulistas. Seu desafio é continuar nessa pegada.

Dos quatro, o São Paulo é o mais desesperado. Não conquista nada desde 2012, quando teve a Sul-americana. Com a chegada de Hernán Crespo, espera-se errar menos no jeito de jogar e ser mais competitivo. A diretoria, nova também, tem de segurar seus melhores jogadores e parar de trocar talento por dinheiro. O São Paulo precisa de títulos, mesmo que para isso tenha de sangrar o caixa.

No mesmo trilho está o Corinthians. Não é terra arrasada porque há Mancini no comando e alguns poucos atletas tentando plantar alguma coisa. Mas é bem perto disso. O elenco não vale o ingresso – se ele estivesse sendo vendido nas bilheterias e pela internet. Há muitas promessas que não desabrocham. Há medalhões em fase ruim. Os reservas são o que são, reservas. E também não há dinheiro para nada. A base precisa ser mais bem trabalhada e observada na esperança de encontrar alguém, um atleta ao menos que preste. Quanto mais, melhor. Vai ser mais um ano da resiliência no Parque São Jorge.

O Santos não viveu tamanha pobreza em 2020, mas sem Cuca e com jogadores indo embora é bem capaz que a equipe desça a ladeira. Soteldo e Marinho, se ficarem, estarão num deserto. Vai viver de pão e água.

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