Apitar um jogo de futebol é somente para os bons. Não é para qualquer um

Flávio Rodrigues Guerra arruma a maior confusão no clássico entre Corinthians e Santos ao expulsar um jogador que não cometeu o pênalti, e depois, de acordo com o próprio zagueiro expulso, escrever na súmula o que ele não disse

Robson Morelli

21 de setembro de 2015 | 14h16

O pior de tudo é que David Braz nem se parece com o Zeca. Ambos foram confundidos pelo juiz e um de seus bandeirinhas na partida do Itaquerão entre Corinthians e Santos, com vitória por 2 a 0 para os donos da casa, domingo de manhã. Zeca fez falta e pênalti em Vagner Love. O juiz marcou pênalti, mas não sabia quem tinha feito a falta, que foi Zeca. Não viu o lance. Ou não percebeu. Mas foi salvo em relação à falta, que ocorreu de fato. Demorou para cair a ficha. O juiz consultou o bandeira e expulsou David Braz, que não fez a falta. O erro foi em conjunto sobre quem cometeu o pênalti. “Como o árbitro marca um pênalti sem saber quem fez o pênalti?”, questiona o zagueiro do Santos, revoltado com a expulsão.

Ocorre que o juiz Flávio Rodrigues Guerra escreveu na súmula que David Braz o xingou, o que o jogador nega veementemente e as imagens da tevê, do SportTV, não mostram. David Braz está bastante convicto de suas afirmações de que nada fez para ofender o árbitro. As versões, portanto, são conflitantes, a do juiz e a do jogador expulso.

O que não é conflitando é a opinião de que realmente o pênalti aconteceu. Agora, expulsar um jogador no lugar de outro e escrever na súmula o que não ocorreu, como os xingamentos de David Braz, como desmente o próprio jogador, é o fim da picada. Ninguém entendeu nada da posição de Flávio Guerra. Talvez nem ele próprio. Ele marca o pênalti, Zeca vai nele e depois os outros jogadores do Santos o cercam, inclusive Braz. Ele vai no bandeira, ouve o que o auxiliar tem a dizer e expulsa David Braz.

Disse que o zagueiro o ofendeu e que ouviu seu companheiro de apito porque queria ouvir o que ele tinha a dizer. A conclusão que tiro é que ele não viu o lance, marcou o pênalti pelo impulso, intuição e aviso do auxiliar e se confundiu todo para saber quem havia cometido a falta, no que foi prontamente mal orientado pelo bandeira. “Foi o Braz! Foi o Braz”. Não foi.

O sol estava quente, o árbitro também tem desgaste, mas é preciso parar de passar a mão na cabeça desses caras que apitam mal e que não dão para a profissão, ou responsabilidade de conduzir um jogo, principalmente um clássico. É preciso, como já escrevi aqui, encontrar árbitros melhores e mais inteligentes, com personalidade. Quem não der para a coisa, deve abandonar a atividade. Simples assim. Apitar é somente para os bons. Não é para qualquer um.

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