Após reuniões, Turner entende que times do Brasileirão têm forçado a barra para encerrar contrato

Após reuniões, Turner entende que times do Brasileirão têm forçado a barra para encerrar contrato

Empresa dos EUA que divide os diretos de transmissão do campeonato nacional com a Rede Globo avalia possíveis impactos com a MP assinada pelo presidente Bolsonaro

Robson Morelli

23 de junho de 2020 | 18h00

A discussão da Turner com os clubes do Brasil ainda não terminou, nem parece perto de um fim. A empresa de mídia dos EUA divide com a Rede Globo os direitos de transmissão dos 380 jogos do Campeonato Brasileiro, que ainda não começou devido à pandemia do coronavírus. A empresa tem acordo com clubes como Palmeiras e Santos, por exemplo. São oito ao todo. Ocorre que nesse começo de temporada, a Turner procurou os times para renegociar as bases do acerto e se deparou com resistência por parte dos clubes, que deram a entender para a empresa a vontade da quebra de contrato, insatisfeitos com as menores cotas recebidas em relação aos concorrentes que estão com a Globo.

Passados três meses e uma série de reuniões, a Turner ainda tem o assunto pendente. Nada foi resolvido, a não ser a maior percepção de que os clubes querem encerrar o acordo. Ocorre que há compromissos das duas partes, com multas altas, e romper o contrato não será tão simples assim, de nenhum dos lados. Muito provavelmente, a situação se arrastará neste ano complicado para o futebol e para os clubes, sem dinheiro e com mais seis meses para sobreviver em meio à doença que mudou o mundo. O cenário só mudará se uma das partes abrir mão de seus direitos ou se Turner e cada um dos clubes chegarem a um acordo rescisório bom para os dois signatários.

No meio do caminho surgiu uma novidade: a MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro que dá aos clubes o direito de transmissão quando são mandantes. O documento foi batizado de MP do Flamengo, que negocia ainda sem sucesso com a Globo a transmissão de seus jogos no Campeonato Carioca. O presidente do Flamengo esteve em Brasília com Bolsonaro a fim de costurar a medida. Sobre isso a Turner informa: “A Turner está analisando a Medida Provisória e avalia possíveis impactos da nova regulamentação.” A Globo já informou que a MP não tem validade para campeonatos já contratados pela emissora e que fará valer seus direitos se for preciso.

Os clubes aguardam. O presidente do Santos disse ao blogueiro que sua vontade é sim romper com a Turner e voltar para a Globo. As partes estudam caminhos legais para isso, se é que há caminhos nesse momento. O Brasileirão 2020 deve ser retomado em agosto.

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